Apresentado relatório Perfil da Criança angolana 2023-24

O Governo de Angola, através do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apresentou oficialmente o relatório Perfil da Criança em Angola 2023–2024, um documento estatístico fundamental para orientar políticas públicas e reforçar a tomada de decisões baseada em elementos objectivos.

Baseado nos dados mais recentes do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) e do Recenseamento Geral da População, o relatório evidencia progressos relevantes, como a redução da mortalidade de crianças menores de cinco anos e o aumento do registo de nascimentos. Ao mesmo tempo, chama a atenção para desafios ainda significativos na protecção, desenvolvimento e promoção dos direitos da criança.

A cerimónia de apresentação do relatório foi orientada pela ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento Neto, que sublinhou a importância de analisar os dados com “honestidade intelectual” e de transformar as evidências em respostas concretas para as crianças e as famílias.

“O lançamento do relatório sobre o Perfil da Criança em Angola é uma radiografia que nos permite rever o passado, actuar no presente e projectar o futuro. Os dados estatísticos trazem notícias encorajadoras, mas obrigam-nos a fazer um exercício de honestidade intelectual”, afirmou a ministra.
A publicação, o primeiro relatório temático derivado do IIMS, assume especial relevância num país onde as crianças e os adolescentes representam praticamente metade da população. Entre 2025 e 2027, estima-se que Angola tenha cerca de 18 milhões de crianças, reforçando a urgência de políticas públicas e investimentos dirigidos a este grupo.

O presidente do Conselho de Administração do INE, Joel Futi, destacou a responsabilidade da instituição na produção e gestão de dados estatísticos sobre uma população tão jovem. Segundo o responsável, a escolha do Perfil da Criança como primeiro relatório temático reflecte a necessidade de disponibilizar informação útil ao Executivo, à sociedade civil, às universidades, ao sector privado e aos parceiros internacionais.

Sistematização de dados permite aferir se se está no caminho certo

“Estes dados estatísticos e estudos permitirão não apenas aos membros do Executivo, mas também à sociedade, às universidades, às empresas e às organizações internacionais tirar o máximo proveito dos números que temos vindo a produzir. Estes dados constituem uma fonte que nos permitirá avaliar se, de facto, estamos no caminho certo”, afirmou Joel Futi.»

A representante-adjunta da UNICEF em Angola, Cristina Brugiolo, saudou o esforço do Executivo e reforçou a importância de uma cultura de tomada de decisões baseada em evidências. “Sem dados, navegamos às cegas. Com dados, podemos construir políticas mais eficazes, mais equitativas e capazes de transformar vidas. Que este Perfil não seja apenas um documento de consulta, mas uma ferramenta de trabalho viva”, afirmou Brugiolo.

O encerramento do evento esteve a cargo do ministro do Planeamento, Vítor Hugo Guilherme, que destacou o rigor técnico do documento e apelou ao uso das estatísticas para formular políticas públicas mais eficazes e inclusivas, capazes de reduzir as assimetrias regionais e responder às necessidades das crianças nas zonas urbanas e rurais.
“Hoje testemunhamos um acto de grande relevância nacional, ao lançarmos bases sólidas para melhor planear, monitorizar e formular políticas públicas mais eficazes e inclusivas. Este Perfil da Criança não deve ser visto apenas como uma publicação estática. É, acima de tudo, um compromisso com o futuro que queremos para a nossa nação”, declarou o ministro.

Com a apresentação do Perfil da Criança em Angola, o país passa a dispor de um instrumento estratégico para monitorizar os progressos, identificar lacunas e orientar intervenções prioritárias em benefício das crianças. O desafio passa agora por transformar as evidências em ações concretas, com impacto directo nas comunidades.

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