Presidente do Zimbabwe poderá ver o seu mandato prolongado até 2030

A Câmara Baixa do Parlamento do Zimbabwe aprovou, ontem, quinta-feira, dia 18, um projecto de lei que prolonga a duração dos mandatos presidenciais de cinco para sete anos, uma alteração que poderá permitir ao Presidente Emmerson Mnangagwa permanecer no poder até 2030.

De acordo com a notícia avançada pela agência Reuters, 216 deputados votaram a favor da proposta, ultrapassando os 187 votos necessários para alcançar a maioria de dois terços exigida para a aprovação da legislação.

O projecto segue agora para a Câmara Alta do Parlamento, onde também é esperado que seja aprovado, uma vez que o partido no poder, a União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF, sigla em ingês) detém o controlo da instituição através de líderes tradicionais e outros representantes que geralmente votam em linha com a formação política.

Os sinais de que Mnangagwa, de 83 anos, pretendia permanecer no poder para além do fim do seu segundo mandato, previsto para 2028, surgiram há cerca de dois anos, quando apoiantes do partido começaram a entoar slogans durante comícios da ZANU-PF defendendo mais tempo para que o Presidente concluísse a sua agenda.

No ano passado, o partido decidiu alterar a Constituição para prolongar os mandatos presidenciais, uma proposta que recebeu posteriormente o apoio do Governo em Fevereiro.

Os críticos consideram que a iniciativa é uma estratégia para permitir que Mnangagwa permaneça mais tempo no poder, enquanto os seus apoiantes defendem que a mudança reforçará a responsabilização política e promoverá maior estabilidade.

Mnangagwa é conhecido pela alcunha de “Crocodilo”, uma referência a um animal associado na tradição do Zimbabwe à astúcia e à determinação, tendo chegado ao poder após um golpe militar em 2017 que afastou o antigo líder Robert Mugabe, que governava o país desde a independência, em 1980.

Antes da ruptura que antecedeu o golpe, Mnangagwa era um dos aliados mais próximos de Mugabe, tendo ocupado cargos importantes no Governo, incluindo o de vice-presidente.

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