Papa Francisco e a sua paixão por África
Num artigo publicado na edição electrónica da “Vaticano News”, assinado por Paul Samasumo, lê-se que “o Papa Francisco tinha um grande amor pela África e pelos africanos. Deixa um legado de compromisso com a procura de paz, justiça social e desenvolvimento integral em África. Para coroar tudo isso, a solidariedade do Papa para com os africanos refugiados e migrantes, pobres e marginalizados permanecerá.”
De acordo com a ‘Vaticano News’ “África está de luto, não apenas pela perda do líder espiritual para os católicos, mas também pelo homem que não teve medo de defender as causas impopulares em relação aos africanos, geralmente ignoradas pelos meios de comunicação social. Estas incluem histórias de vulnerabilidade do continente tais como conflitos, exploração, pobreza e doenças.”
O texto lembra que a primeira viagem de Francisco foi à ilha italiana de Lampedusa, em Julho de 2013, onde muitos jovens migrantes africanos tinham morrido num naufrágio no Mar Mediterrâneo enquanto tentavam alcançar as costas da Europa.
Num altar erguido sobre os restos de um barco, pintado, o Papa Francisco proclamou: “Neste mundo globalizado, caímos na indiferença globalizada”. “Acostumamo-nos ao sofrimento dos outros: isso não me afecta; não me diz respeito; não é da minha conta!” Anos depois, após Lampedusa, o Papa Francisco defenderia repetidamente que “os migrantes devem ser acolhidos, acompanhados, apoiados e integrados nas comunidades de acolhimento”. Era uma mensagem pouco popular para muitos na Europa, mas o Santo Padre repetia-a sem parar.
Visitas a África
As viagens do Papa Francisco ao continente africano ficaram na memória de todos, demonstrando o seu respeito e preocupação pelo continente. A sua primeira visita africana, em 2015, foi ao Quénia, Uganda e à República Centro-Africana (RCA). Na altura, a visita a este último país, foi considerada não apenas perigosa, mas também referida pela comunicação social como o “maior risco de segurança do seu papado”.
Apesar da grave violência que afectava o país, o Papa Francisco desembarcou na RCA a 29 de Novembro de 2015, rejeitando os conselhos para vestir um colete à prova de bala enquanto desfilava no papamóvel.
Na RCA, Francisco foi ao encontro da comunidade muçulmana na mesquita central de Koudoukou, em Bangui, a capital. Na época, aquela parte da cidade era considerada uma área proibida a não muçulmanos. Apesar disso, o imã-chefe da mesquita, Tidiani Moussa Naibi, acolheu calorosamente o Papa e agradeceu a visita.
Tirem as mãos de África!
Durante o seu pontificado, o Santo Padre visitou a Quénia, Uganda, República Centro-Africana, Egipto, Marrocos, Moçambique, Madagáscar, República Democrática do Congo e Sudão do Sul. Esta última ocorreu na companhia do Arcebispo Anglicano de Canterbury e do Moderador da Igreja da Escócia. Na costa leste africana, o Papa Francisco também visitou as Ilhas Maurícias durante a mesma viagem apostólica a Moçambique e Madagáscar.
Nestas viagens a África, o Papa Francisco falou apaixonadamente sobre paz, reconciliação e justiça social, destacando a resiliência do povo africano, apesar das muitas adversidades que enfrentam como povo.
Num encontro com autoridades governamentais, civis e diplomáticas na República Democrática do Congo, o Papa Francisco disse no seu discurso: “Tirem as mãos da República Democrática do Congo! Tirem as mãos de África! Basta com este sufocar a África; não é uma mina para explorar nem uma terra para saquear”, afirmou o Pontífice.