Expansão da electricidade em Angola é pilar de desenvolvimento empresarial, diz Governo
O Governo angolano considera o processo de electrificação um dos pilares essenciais para o crescimento das micro, pequenas e grandes indústrias, com impacto directo nos custos de produção e na competitividade da economia nacional. A declaração foi feita na segunda-feira, dia 19, em Luanda, pelo ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges.
Intervindo no âmbito do 2.º Fórum Nacional da Juventude, sob o lema “Processo de electrificação nacional e o seu impacto nas micro e macro indústrias”, o governante destacou a importância da interligação da província de Cabinda à rede eléctrica nacional, como medida estratégica para a integração energética do país.
Borges referiu que Angola tem actualmente uma taxa de electrificação de cerca de 44%, mas que nas zonas rurais o acesso é inferior a 10%. Esta disparidade, segundo o ministro, representa um entrave ao desenvolvimento inclusivo e ao aproveitamento do potencial económico fora dos centros urbanos.
Entre os principais obstáculos, o ministro apontou a degradação das infra-estruturas provocada pelos conflitos armados, a dependência de fontes fósseis com custos elevados e as perdas comerciais devido a ligações ilegais e falhas na gestão da rede.
Mencionou também as limitações na capacidade de transmissão de energia para as províncias da Huíla, Namibe, Cunene e regiões do leste, que dificultam a expansão e fiabilidade do fornecimento eléctrico em todo o território nacional.
Apesar dos desafios, o ministro angolano da Energia e Água reconheceu avanços, como a entrada em funcionamento da barragem de Laúca, a interligação gradual dos sistemas regionais e os investimentos em energias renováveis, com destaque para os projectos nas zonas do Cunje e Matala.
O governante reforçou ainda que a electrificação é determinante para o desenvolvimento social e económico, pois garante o funcionamento de escolas, centros de saúde e unidades produtivas, facilitando a vida das populações em diferentes regiões do país.
No âmbito do Plano Angola Energia 2025, o Executivo estabeleceu metas até 2027 para atrair investimento através de parcerias público-privadas, aumentar a eficiência do sistema eléctrico e expandir o acesso à energia a milhões de cidadãos.
Durante o fórum, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, elogiou a aposta do Governo em energias limpas e baratas para apoiar as micro, pequenas e médias empresas (MPME). “Estes mecanismos ajudam as empresas a desenvolver actividades económicas para beneficiar as famílias a nível nacional”, concluiu.