União Africana suspende Madagáscar com “efeitos imediatos”
A União Africana (UA) suspendeu ontem, quarta-feira, dia 15, “com efeito imediato”, Madagáscar dos seus órgãos, um dia após a tomada do poder pelos militares e a destituição do contestado Presidente Andry Rajoelina, anunciou o presidente da Comissão da organização pan-africana, Mahamoud Ali Youssouf.
Vários países do continente também estão suspensos da organização continental após golpes de Estado militares, como o Mali, o Burquina Faso e a Guiné-Conacri.
Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou a sua preocupação com a “mudança inconstitucional de poder” em Madagáscar e apelou às partes para que colaborem no sentido de alcançar uma “solução pacífica” para a actual crise no país africano.
“O secretário-geral reitera a disponibilidade das Nações Unidas para continuar a colaborar com Madagáscar, a União Africana e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para o restabelecimento da paz e da estabilidade no país”, afirmou num comunicado.
Por sua vez, um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano assinalou à Europa Press que “continua a acompanhar de perto a situação no terreno” e insta as partes a “procurar uma solução pacífica” para a crise política.
A ilha do Oceano Índico estava a ser abalada desde 25 de Setembro por um movimento de contestação de jovens, ao qual se juntou uma unidade militar no último sábado.
Na terça-feira, militares, liderados pelo coronel Michael Randrianirina, anunciaram “assumir o poder”, logo após uma votação da Assembleia Nacional que destituiu o chefe de Estado, que entretanto deixou o país.
O Supremo Tribunal Constitucional malgaxe, tendo constatado que o cargo de Presidente estava “disponível”, “convidou”, em comunicado, na terça-feira, “a autoridade militar competente, encarnada pelo coronel Michael Randrianirina, a exercer as funções de chefe de Estado.”
Ontem, numa entrevista, o coronel declarou que vai assumir a presidência do país, com uma tomada de posse nos próximos dias, para que a posição seja oficializada.
Contestado na rua e escondido num local desconhecido, Andry Rajoelina, que tinha dissolvido a Assembleia na terça-feira para evitar a sua destituição, denunciou a votação como uma “reunião (…) desprovida de qualquer base legal” e depois uma “tentativa de golpe de Estado” dos militares. “O Presidente permanece plenamente em funções”, tinha a presidência assegurado.
Recorde-se que os protestos, que duram há semanas, atingiram um ponto de viragem no sábado, quando Randrianirina e soldados da sua unidade de elite Corpo de Administração de Pessoal e Serviços do Exército Terrestre (CAPSAT) se revoltaram contra Rajoelina e juntaram-se às manifestações que exigiam a demissão do Presidente, levando-o a fugir.
Pelo menos 22 pessoas foram mortas nas manifestações e cerca de 100 ficaram feridas, de acordo com um balanço da ONU de 29 de Setembro.
Apesar das riquezas naturais, Madagáscar continua a ser um dos países mais pobres do mundo e quase 75% da população vivia abaixo do limiar da pobreza em 2022, de acordo com o Banco Mundial.