PAICV volta ao poder em Cabo-Verde uma década depois
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), antigo partido único durante a chamada I República (1975-1991), venceu as eleições legislativas de ontem, domingo, dia 16, em Cabo Verde. O partido regressa ao poder após dez anos na oposição. Deste modo, Francisco Carvalho será o novo primeiro-ministro de Cabo Verde.
Na sua primeira declaração após a divulgação dos resultados, o presidente do partido, Francisco Carvalho, afirmou que Cabo Verde “falou com maioria absoluta” e que se inicia “um novo Cabo Verde”, sublinhando que os eleitores enviaram uma mensagem clara de mudança. “Hoje é um dia extraordinário. Cabo-verdianos já falaram. Democracia é assim”, declarou, ao agradecer a todos os que participaram no processo eleitoral.
Francisco Carvalho garantiu que o futuro Governo terá uma estrutura mais reduzida e que “cumprirá as promessas eleitorais”, entre as quais o acesso gratuito à universidade pública, à saúde e às tecnologias, bem como medidas para os transportes interilhas. “Tudo aquilo que eu disse na campanha é para cumprir”, afirmou.
Do lado do Movimento para a Democracia (MpD), o presidente do partido, Ulisses Correia e Silva, numa primeira reacção aos resultados, anunciou a sua demissão da liderança, reconheceu a derrota e afirmou que os resultados “não ficaram ao nível dos objectivos.” Correia e Silva falhou a eleição para um terceiro mandato como primeiro-ministro.
O ainda líder do MpD disse já ter felicitado Francisco Carvalho pela vitória e sublinhou que o partido fará uma transição de poder “normal e pacífica”, assumindo o papel de oposição responsável.
Segundo dados provisórios actualizados pelas 23H00 locais (01H00 em Luanda) pelas autoridades eleitorais, o PAICV liderava a contagem global com 86.732 votos (46,3%) e 32 deputados (de um total de 72), quando estavam apurados os resultados provisórios de 1.287 mesas de voto (96,5% do total), registando-se uma taxa de abstenção global de 53,3%.
Na mesma altura, o MpD contava 82.260 votos (43,9%) e 29 deputados, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) 9.752 votos (5,2%) e dois deputados.