Morreu Conceição Lima, nome maior das letras de São Tomé

A jornalista e escritora são-tomense Conceição Deus Lima morreu na passada sexta-feira, dia 15, em São Tomé, aos 64 anos, adiantaram à agência Lusa fontes familiares.

Segundo os familiares, a poetisa são-tomense, nascida em 8 de Dezembro de 1961, sentiu-se mal logo pela manhã e foi encaminhada ao hospital Central Dr. Ayres de Menezes, onde acabou por falecer por volta das 07H00 locais (06H00 em Luanda).

Conceição Lima é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, com livros e poemas em alemão, árabe, espanhol, checo, francês, galego, italiano, inglês, shona, servo-croata e turco.

A poetisa foi membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses (UNEAS) e, em 2021, foi nomeada coordenadora nacional, para São Tomé e Príncipe, do Movimento Poético Mundial.

Durante a celebração do dia-da-mulher são-tomense, a 19 de Setembro do ano passado, Conceição de Deus Lima foi distinguida pelo Governo são-tomense como embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe em reconhecimento pelo seu papel na valorização e promoção da identidade cultural do país no plano internacional.

“São Tomé e Príncipe se orgulha de ter entre os seus uma cidadã de tamanha dimensão, que é concomitantemente uma jornalista de prestígio internacional e intransigente defensora do bem comum, dos direitos, liberdades e garantias fundamentais, em particular no domínio dos direitos da infância e adolescência, da igualdade do género e no empoderamento das mulheres, bem como da proteção do património histórico, da conservação da natureza e da salvaguarda dos ecossistemas e da biodiversidade”, referiu o executivo são-tomense, no documento de nomeação.

Na ocasião, Conceição de Deus Lima exortou “os decisores e decisoras a assumirem a promoção e preservação da identidade cultural são-tomense, a transmissão dos valores identitários para as novas e futuras gerações, como um imperativo sistematizado para o autoconhecimento”.

Maria da Conceição Costa de Deus Lima nasceu no sul da ilha de São Tomé, em Santana, onde cresceu e fez os estudos primários e secundários, e estudou jornalismo em Portugal.

Em São Tomé e Príncipe trabalhou e exerceu cargos de direcção na Rádio, Televisão e na imprensa escrita e depois da abertura multipartidária no arquipélago, fundou, em 1993, o já extinto semanário independente ‘O País Hoje’, de que foi directora.

Era licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres e mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS), de Londres, onde residiu e trabalhou como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC.

Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países. Desde então, publicou vários livros sob a chancela da Editorial Caminho, com o editor Zeferino Coelho – entre eles: ‘O Útero da Casa’ (2004), ‘A Dolorosa Raiz do Micondó’ (2006) e ‘O País de Akendenguê’ (2011).

Mais recentemente, publicou um livro de crónicas, ‘O Mundo Visto do Maio’ (2023), e uma colecção de fábulas intitulada ‘Quando os cães deixaram de falar’ (2025).

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