Julgamento de Zuma retoma em 2027

A Justiça sul-africana anunciou ontem, quinta-feira, dia 14, que retomará no próximo ano o julgamento do ex-Presidente Jacob Zuma e da empresa de armamento francesa Thales, sobre acusações relacionadas com um contrato milionário assinado na década de 1990.

O julgamento, que, à partida, será retomado a 1 de Fevereiro de 2027, diz respeito às acusações de Zuma e da empresa francesa sobre alegada associação criminosa, corrupção, branqueamento de capitais e fraude.

O juiz Nkosinathi Chili, do Tribunal Superior de Pietermaritzburg (leste do país), determinou que o processo deve prosseguir, apesar das contestações apresentadas pelas equipas jurídicas, segundo noticiou a imprensa local.

“Sem dúvida, houve um atraso excessivo nesta matéria”, afirmou Chili, numa decisão que representa um revés para a estratégia da defesa que tem feito um uso de requerimentos e recursos para esgotar e atrasar o processo.

O ex-Presidente é arguido no chamado “julgamento do negócio das armas”, acusado de ter aceitado subornos da empresa Thales enquanto era vice-presidente da África do Sul, beneficiando de contratos estatais e pagamentos alegadamente recebidos da firma francesa, que teriam sido canalizados através do seu consultor financeiro para ocultar a sua origem.

Os supostos pagamentos, de carácter anual, teriam um valor de 500.000 rands (cerca de 26.000 USD). Tanto Zuma como a Thales sempre negaram as acusações.

O julgamento será então retomado em duas sessões que se estenderão até 20 de Junho de 2027.

As acusações foram apresentadas em 2003, retiradas em 2009 e restabelecidas em 2017. Desde então, Zuma e a Thales apresentaram inúmeros requerimentos que paralisaram o processo. O ex-Presidente sul-africano, de 83 anos, tem estado envolvido em múltiplos processos judiciais, principalmente por acusações de corrupção e pelo alegado uso de fundos públicos para evitar a prestação de contas. A 22 de outubro de 2025, o Tribunal Superior de Pretória, capital do país, ordenou que Zuma devolvesse 28,9 milhões de rands (cerca de 1,65 milhões de USD), acrescidos de juros, pelos fundos públicos utilizados para cobrir os seus gastos legais em causas privadas.

Recorde-se que Zuma foi eleito Presidente pela primeira vez em 2009. O antigo líder do Congresso Nacional Africano (ANC) foi forçado a demitir-se em 2018 pelo partido, antes do fim do segundo mandato, após uma série de escândalos.

Em 2021, foi condenado a 15 meses de prisão por se recusar obstinadamente a testemunhar perante uma comissão de inquérito sobre a corrupção generalizada durante os seus nove anos no poder.

A sua detenção em Julho de 2021 desencadeou, num contexto socioeconómico difícil, uma onda de violência sem precedentes desde o advento da democracia no país em 1994, provocando mais de 350 mortos.

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