Confirmado primeiro caso de Ébola no leste da RDC

O Instituto Nacional de Investigação Biomédica (INRB) da República Democrática do Congo (RDC) confirmou ontem, domingo, dia 17, um primeiro caso de infecção pelo vírus Ébola em Goma, cidade localizada no leste do país e controlada pelo movimento rebelde M23.

Confirma-se um caso positivo em Goma. Foi confirmado por testes realizados pelo laboratório. Trata-se da mulher de um homem que morreu de ébola em Bunia, que viajou para Goma após a morte do marido”, disse à agência AFP o professor Jean-Jacques Muyembe, director do INRB em Kinshasa.

No sábado, o ministro da Saúde da RDC alertou que a estirpe do vírus Ébola “tem uma taxa de mortalidade muito elevada” e acrescentou não existir ainda vacina nem tratamento específico.

O surto de ébola na província de Ituri, no leste da RDC, já causou 80 mortos, de acordo com um comunicado do Ministério da Saúde congolês, citado pela agência de notícias espanhola EFE. “Foram reportados 246 casos suspeitos e 80 mortes, das quais quatro testaram positivo”, afirmou o ministro Samuel Roger Kamba Mulamba, num comunicado divulgado na sexta-feira, citado pela EFE. A doença foi localizada nas cidades de Rwampara, Mongwalu e Bunia.

O Governo da RDC já activou o Centro de Operações de Emergência, reforçou a vigilância epidemiológica em Ituri e adoptou medidas urgentes, incluindo assistência médica gratuita, envio de equipas de intervenção rápida e controlo de fronteiras.

As autoridades pediram à população para praticar uma higiene rigorosa e comunicar os sintomas sem entrar em pânico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou especialistas e cinco toneladas de material médico da capital, Kinshasa, para Bunia, de forma a reforçar a resposta na linha da frente.

Entretanto, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), da União Africana, activou também uma resposta regional abrangente ao surto, alertando para o elevado risco de transmissão devido à “intensa movimentação” de pessoas ligadas à mineração e à proximidade com o Uganda, que já reportou um caso importado, e o Sudão do Sul.

A agência mobilizou equipas de emergência para centralizar a gestão de material médico e convocou uma reunião para hoje, segunda-feira, dia 18, com parceiros internacionais e a OMS para obter apoio político ao mais alto nível.

O último surto ébola na RDC ocorreu no final de 2015, na província de Kasai (região centro), sendo este o 16.º no país desde que o vírus foi descoberto, em 1976.

Segundo a OMS, o ébola tem uma taxa de mortalidade entre os 60% e os 80%, é transmitido por fluídos corporais e provoca febre alta, fraqueza intensa e hemorragias.

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