Bancos centrais lusófonos criam plataforma permanente de cooperação
Os bancos centrais dos países de língua portuguesa passam a dispor de uma estrutura comum para reforçar a articulação institucional e a troca de conhecimentos técnicos, na sequência do lançamento, em Luanda, da Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa.
A iniciativa foi formalizada através de um Memorando de Entendimento assinado pelos Estados-membros, anunciou o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Tiago Dias, que destacou a importância de criar mecanismos permanentes de colaboração entre as instituições.
No âmbito desta plataforma foram constituídos vários grupos de trabalho dedicados a matérias como a evolução macroeconómica, a inclusão financeira, a digitalização, a modernização dos sistemas de pagamentos e outras áreas de interesse comum.
Segundo Tiago Dias, estes grupos permitirão aos especialistas dos diferentes bancos centrais manter um contacto regular e partilhar experiências, conhecimentos e soluções para desafios comuns.
Após a cerimónia de lançamento, realizou-se a primeira reunião da rede, durante a qual foram aprovadas as regras de organização, incluindo a estrutura de presidência e os respectivos mandatos dos grupos de trabalho.
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, classificou a criação da rede como um momento histórico para as instituições financeiras da comunidade lusófona, sublinhando as oportunidades de cooperação em domínios como os sistemas de pagamentos, as estatísticas, a literacia financeira, a gestão de crises e a análise económica.
O responsável português considerou igualmente que a iniciativa ganha particular relevância num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e fragmentação económica, defendendo que os países de língua portuguesa devem aprofundar os mecanismos de articulação e cooperação.
Álvaro Santos Pereira destacou ainda o papel de Angola na concretização desta iniciativa, tendo saudado o acolhimento do primeiro encontro em Luanda, numa altura em que o Banco Nacional de Angola assinala 50 anos de existência.
O governador do Banco de Portugal referiu também as reformas económicas realizadas por Angola e o dinamismo da actividade económica, particularmente do sector não petrolífero, considerando que a evolução deste segmento poderá criar oportunidades para novos investidores estrangeiros.
Manifestou, neste sentido, a expectativa de que o interesse pelo mercado angolano se traduza em maior participação de investidores, tanto no sector financeiro como noutras áreas da economia.
À margem do lançamento da rede, os governadores dos bancos centrais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) realizaram igualmente uma reunião para analisar a conjuntura económica internacional e os seus possíveis efeitos nas economias dos Estados-
membros. O encontro serviu ainda para identificar oportunidades de cooperação e promover a partilha de experiências entre as instituições.
Recorde-se que integram a CPLP os seguintes países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.