Gravidez precoce continua a ser um desafio em Angola
A gravidez na adolescência continua a representar um importante desafio social e de saúde pública em Angola, afectando 42,5% das raparigas entre os 15 e os 19 anos nas zonas rurais, contra 20% nas áreas urbanas.
Os dados constam das conclusões do Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), que manifestou preocupação com a elevada incidência da maternidade precoce e recomendou ao Governo angolano a adopção de uma estratégia nacional de prevenção, acompanhada de financiamento adequado.
A nível nacional, 27,1% das adolescentes nesta faixa etária já estiveram grávidas. Apesar da redução registada nos últimos anos, as diferenças entre o campo e a cidade continuam expressivas.
O relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), divulgado em Setembro de 2026, mostra que a proporção de adolescentes que já engravidaram nas zonas rurais diminuiu de 49,3%, em 2015-2016, para 42,5%, em 2023-2024. Nas áreas urbanas, baixou de 28,8% para 20%.
O estudo evidencia igualmente a influência das condições económicas e da escolaridade. Entre as adolescentes dos agregados familiares mais pobres, 47,5% já estiveram grávidas, enquanto nas famílias com melhores condições económicas a proporção é de 8,2%.
Outro dado preocupante prende-se com o acesso à contracepção. Embora cerca de 90% das adolescentes conheçam os métodos contraceptivos, apenas 9,6% afirmaram utilizar algum em 2023-2024.
Perante este cenário, as Nações Unidas recomendam o reforço da educação sexual, o acesso a serviços de saúde reprodutiva e métodos contraceptivos, bem como medidas de combate à violência sexual e ao casamento infantil.
A prevenção da gravidez precoce exige, assim, uma intervenção articulada entre os sectores da Saúde, Educação e Acção Social, sobretudo nas comunidades rurais, onde as dificuldades de acesso à informação e aos serviços de saúde continuam a limitar as oportunidades das raparigas.