OMS estima que medidas climáticas podem evitar 1,6 milhões de mortes por ano

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a implementação de seis medidas nas áreas da saúde e do ambiente poderá evitar cerca de 1,6 milhões de mortes por ano, além de proporcionar benefícios económicos e fiscais avaliados em biliões de dólares.

As propostas constam de um relatório divulgado poucos dias antes da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31), que terá início a 9 de Novembro, em Antalya, na Turquia. Segundo o documento, as medidas exigem investimentos relativamente reduzidos, mas poderão produzir resultados significativos na protecção da saúde pública e na redução das emissões poluentes.

Entre as principais recomendações figuram a criação de sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, o reforço do abastecimento de água potável, a melhoria dos serviços de saneamento e higiene e a promoção de combustíveis menos poluentes para cozinhar e aquecer as habitações.

A OMS defende igualmente a adopção de políticas de preços sobre os combustíveis fósseis, incluindo a eliminação de subsídios considerados ineficientes e a introdução de impostos sobre a sua utilização.

De acordo com as estimativas da organização, a concretização destas iniciativas poderá gerar benefícios económicos anuais de 3,9 biliões de dólares, aos quais se juntariam mais 5,4 biliões de dólares em receitas e vantagens fiscais.

O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, considera que estas intervenções representam uma oportunidade para salvar milhões de vidas, sobretudo nos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas e com maiores necessidades de investimento em saúde pública.

Por sua vez, Frank Pega, responsável pela área de Clima, Saúde e Economia da organização, classificou as medidas como uma das maiores oportunidades de investimento na saúde do século XXI, tendo em conta o retorno económico que poderão proporcionar.

O relatório estima ainda que, por cada dólar aplicado nas seis medidas, poderão ser gerados 24 dólares em benefícios. Nos sistemas de alerta para ondas de calor, o retorno poderá atingir 835 dólares por cada dólar investido.

No domínio da redução das emissões, a OMS calcula que as propostas poderão evitar a libertação de 16,7 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono, o equivalente a 31% das emissões anuais de gases com efeito de estufa, excluindo as associadas ao uso da terra e à silvicultura.

A organização atribui particular importância à revisão das políticas de preços dos combustíveis fósseis. Só esta medida poderá evitar cerca de 1,2 milhões de mortes por ano e proporcionar benefícios económicos anuais estimados em três biliões de dólares.

Perante a realização da COP31, a OMS apela a que a protecção da saúde humana seja colocada no centro das negociações internacionais sobre o clima, defendendo que o combate às alterações climáticas deve ser encarado também como uma prioridade de saúde pública.

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