Angola prevê elevar para mil milhões de dólares investimento em infra-estruturas turísticas
O Executivo angolano pretende atingir, até ao final de 2026, mil milhões de dólares em investimentos destinados a melhorar as infra-estruturas de apoio ao turismo. O montante aplicado este ano já ronda os 850 milhões de dólares, abrangendo projectos de estradas, abastecimento de água, electricidade, saneamento e telecomunicações. Apesar da aposta na promoção internacional, a percepção de insegurança continua a ser apontada como um dos obstáculos à atracção de visitantes.
Angola poderá alcançar a meta de mil milhões de dólares em investimentos nas infra-estruturas turísticas até Dezembro, caso sejam aprovados pela Presidência da República os projectos que se encontram em carteira.
A informação foi avançada à agência Lusa pelo secretário de Estado para a Gestão de Activos e Concessões Turísticas, Josemar Afonso, segundo o qual o investimento realizado em 2026 está actualmente estimado em 850 milhões de dólares.
“Temos mais propostas para aprovação ao nível da Presidência e, logo que tenhamos a aprovação, rapidamente conseguimos chegar aos mil milhões”, afirmou o governante.
Os recursos estão a ser canalizados para infra-estruturas consideradas essenciais ao desenvolvimento da actividade turística, nomeadamente estradas, sistemas de abastecimento de água, electricidade, saneamento e telecomunicações. Entre as regiões abrangidas estão Cabo Ledo, o Okavango e a Serra da Leba.
Angola procura ganhar espaço no mercado internacional
A estratégia de promoção turística ganhou novo impulso com a participação, pela primeira vez, de Angola na World Travel Market (WTM), em Londres, uma das principais feiras internacionais do sector. A presença angolana contou com operadores de gestão de destinos, unidades hoteleiras e empresas de turismo.
Depois de ter assumido o estatuto de país anfitrião da ITB Berlim e de participar na Feira Internacional de Turismo de Madrid, em Janeiro, Angola procura agora reforçar a sua presença no mercado britânico e captar o interesse de operadores e potenciais investidores.
A oferta apresentada privilegia o turismo de natureza, aventura e descoberta, explorando a diversidade paisagística do país, desde as praias e desertos até às zonas de safari.
Josemar Afonso destacou, em particular, o potencial do deserto do Namibe, considerando que a experiência de acampar naquela região constitui um atractivo diferenciador para os visitantes internacionais.
Apesar dos progressos registados, os indicadores revelam que Angola ainda tem um longo caminho a percorrer para se afirmar como destino turístico internacional.
Em 2025, o país recebeu 223 mil turistas estrangeiros, o que representa um aumento de 28% face a 2022. Contudo, cerca de 70% das entradas estiveram relacionadas com actividades profissionais, enquanto apenas 23% corresponderam a viagens de lazer.
O Executivo pretende elevar este número para um milhão de visitantes, meta que Josemar Afonso classificou como uma espécie de “barreira psicológica” que o país precisa de ultrapassar para consolidar o crescimento do sector.
“Quanto mais rápido chegarmos a isto, melhor”, afirmou, reconhecendo, contudo, que se trata de um objectivo que exigirá tempo.
De acordo com os dados apresentados pelo Presidente da República, João Lourenço, no discurso sobre o Estado da Nação, em Outubro, Angola dispõe de 1.577 estabelecimentos hoteleiros e outras unidades de alojamento, com uma capacidade superior a 31 mil quartos.
Em 2025, a taxa média de ocupação situou-se entre 72% e 75%, enquanto as receitas do sector atingiram 667 milhões de dólares. A actividade turística contribuiu ainda para a criação de mais de nove mil postos de trabalho.
Concessões e ligações aéreas para atrair investidores
Entre as medidas destinadas a facilitar a entrada de turistas, Angola passou a isentar de visto os cidadãos de 99 países para estadias de natureza turística até 30 dias.
No domínio dos transportes, o país dispõe de ligações aéreas directas com Portugal, França, Cabo Verde, Moçambique, África do Sul e Qatar. Ainda assim, o Governo pretende aumentar a oferta de voos provenientes de mercados como Alemanha, Suíça e Espanha.
A mobilização de capital privado constitui igualmente uma das prioridades do Executivo. Neste âmbito, Josemar Afonso anunciou que as primeiras concessões turísticas deverão ser atribuídas até ao final de 2026.
O Ministério do Turismo deverá assumir o papel de interlocutor único dos investidores interessados nestes projectos, numa tentativa de simplificar os procedimentos e acelerar a concretização das iniciativas.
O Governo considera o turismo uma das actividades com maior potencial para contribuir para a diversificação da economia angolana, reduzindo a dependência do petróleo e criando novas fontes de receitas e emprego.
Percepção de insegurança continua a condicionar procura
Apesar dos investimentos em infra-estruturas e dos esforços de promoção externa, a imagem de segurança do país continua a representar um desafio para a captação de turistas internacionais.
O secretário de Estado reconheceu que as dúvidas manifestadas por potenciais visitantes relativamente à segurança em Angola exigem um trabalho adicional de informação e comunicação.
“Ainda temos de ultrapassar aspectos de questionamento sobre a segurança em Angola. Claramente demonstra, há trabalho educativo que ainda temos de fazer”, admitiu.
A superação desta percepção será, assim, um dos factores a considerar na estratégia angolana para transformar o potencial natural e paisagístico do país num sector turístico com maior peso na economia.