S&P mantém rating de Angola em B- e alerta para pressão sobre finanças públicas

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) manteve o ‘rating’ de Angola em B-, abaixo do nível considerado recomendável para investimento, e conservou a perspectiva estável para a evolução da qualidade do crédito do país.

Os analistas da agência consideram que “as finanças públicas continuam a correr o risco de ficar aquém das metas”, devido, entre outros factores, ao aumento das despesas com subsídios aos combustíveis em 2026 e às despesas elevadas previstas nas vésperas das eleições de 2027.

Neste cenário, a S&P confirmou as notações B- e B atribuídas a Angola e manteve a perspectiva estável, segundo um comunicado divulgado na sexta-feira, dia 14. A avaliação mantém a dívida soberana angolana num nível abaixo do grau de investimento, frequentemente designado por ‘lixo’ nos mercados financeiros.

A agência considera que a evolução positiva das receitas petrolíferas poderá ser parcialmente contrariada pelas dificuldades na gestão das metas das finanças públicas.
“Os preços do petróleo situam-se bem acima dos previstos no orçamento de Angola para 2026; no entanto, os volumes de produção de petróleo limitados estão a restringir os benefícios dos preços mais elevados”, refere a S&P.

A agência reconhece que o Governo está a adoptar medidas para controlar a dívida e gerar poupanças que permitam continuar a cumprir os compromissos financeiros internacionais. No entanto, salienta que Angola “continua a enfrentar obrigações consideráveis de serviço da dívida.”

Angola terá de pagar 6,5 mil milhões de dólares este ano, valor que deverá aumentar para 9,1 mil milhões de dólares em 2027 e 11 mil milhões de dólares em 2028. Ainda assim, a S&P considera que o país deverá conseguir honrar os seus compromissos financeiros, tendo em conta as várias medidas de gestão financeira adoptadas durante o primeiro semestre deste ano.
S&P prevê um crescimento médio da economia angolana de 3,5% em 2026

O petróleo continua a desempenhar um papel determinante na economia angolana. Segundo a S&P, “a estabilidade económica de Angola e a capacidade do Governo para honrar os pagamentos consideráveis da dívida dependem de preços do petróleo favoráveis e de a produção se manter acima de 1 milhão de barris por dia”.

O sector petrolífero representa cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB), 92% das exportações de bens e mais de 40% das receitas fiscais do país.
A S&P prevê que o preço médio do petróleo se situe este ano nos 98 dólares por barril, o que representa um aumento de 42% face aos 69 dólares registados no ano anterior e 61% acima da previsão inscrita no Orçamento Geral do Estado, que apontava para um preço médio de 61 dólares por barril.

“Embora os preços mais elevados do petróleo apoiem as receitas fiscais, também acarretam maiores despesas fiscais sob a forma de subsídios aos combustíveis”, alertam os analistas.
Quanto ao cenário macroeconómico, a S&P prevê um crescimento médio da economia angolana de 3,5% este ano, seguido de um abrandamento para 2,7% entre 2027 e 2029.

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