Zâmbia suspende contagem de votos após violência contra funcionários eleitorais

A Comissão Eleitoral da Zâmbia (ECZ, sigla em inglês) suspendeu, hoje, sexta-feira, dia 14, a contagem dos votos e o anúncio dos resultados das eleições realizadas ontem, quinta-feira, dia 13, na sequência de relatos de violência contra funcionários eleitorais em vários distritos.

Segundo a comissão, foram registados incidentes em que boletins de voto já marcados foram retirados de urnas. A ECZ anunciou que irá reavaliar a decisão de suspensão no prazo de 24 horas.

A decisão interrompe temporariamente o processo de apuramento das eleições presidenciais, legislativas e autárquicas, realizadas a 13 de Agosto. O calendário eleitoral previa a declaração dos resultados presidenciais a partir de segunda-feira, 17 de Agosto, embora ainda não esteja claro se a suspensão provocará um atraso.

O Presidente Hakainde Hichilema, que procura um segundo mandato, parte para a disputa como favorito de acordo com vários analistas. Eleito em 2021, Hichilema apresenta como principais argumentos da campanha a reestruturação da dívida externa, a estabilização macroeconómica e os esforços para atrair investimento para o país.

Apesar da recuperação económica, o elevado custo de vida, o desemprego e as dificuldades no acesso à electricidade continuam entre as principais preocupações dos eleitores.

O principal adversário de Hichilema é Brian Mundubile, candidato da oposição e líder da Tonse Alliance. Mundubile conseguiu mobilizar multidões durante a campanha e centrou a sua mensagem na redução do custo de vida, no combate à pobreza e no reforço das liberdades democráticas.

A eleição zambiana é acompanhada com particular atenção pelos mercados internacionais devido à importância do país na produção de cobre, um mineral estratégico para as indústrias de veículos eléctricos, energias renováveis e redes eléctricas. A China e os Estados Unidos mantêm interesses significativos no sector mineiro zambiano.

A suspensão da contagem introduz agora uma nova incerteza num processo eleitoral que, até ao momento, decorria em grande parte de forma pacífica. A ECZ deverá pronunciar-se nas próximas 24 horas sobre a retoma do apuramento e sobre o eventual impacto da interrupção no calendário de divulgação dos resultados.

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