SADC aposta na industrialização, desenvolvimento de infra-estruturas, transformação agrícola e aproveitamento de minerais críticos

A 46.ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) colocou a industrialização, o desenvolvimento de infra-estruturas, a transformação agrícola e o aproveitamento dos minerais críticos no centro da agenda regional, numa estratégia destinada a reforçar a competitividade económica da África Austral e reduzir a dependência de matérias-primas não transformadas.

Realizada ontem, dia 17, em Durban, na África do Sul, a cimeira reuniu os líderes dos 16 Estados-membros da organização e marcou a passagem da presidência rotativa da SADC para o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. Angola fez-se representar pelo Ministro das Relações Exteriores, Teté António.
Sob o lema “Industrialização resiliente, sustentável e inclusiva através do desenvolvimento de infra-estruturas, da transformação dos produtos agrícolas e dos minerais essenciais, por um mundo justo”, os chefes de Estado e de Governo discutiram medidas para acelerar a integração regional e criar condições para um crescimento económico mais sustentável e inclusivo.

Minerais críticos ganham importância
Outro dos grandes temas da cimeira foi a necessidade de os países da SADC deixarem de se limitar à exportação de matérias-primas e passarem a desenvolver cadeias de valor regionais. Os minerais críticos, essenciais para sectores como as energias renováveis, veículos eléctricos e tecnologias avançadas, assumem particular importância nesta estratégia. A região pretende aumentar a transformação local dos recursos minerais, atrair investimento e criar emprego, em vez de exportar recursos em bruto.
Esta agenda interessa directamente a Angola, que procura diversificar a economia para além do petróleo e desenvolver sectores mineiros e industriais com maior capacidade de transformação e geração de valor acrescentado.
A Semana da Industrialização da SADC, realizada em Durban antes da cimeira, já tinha colocado a beneficiação de minerais críticos, o agro-processamento, a energia, os transportes e a logística entre as prioridades para o desenvolvimento das cadeias de valor regionais.

Agricultura e segurança alimentar
A transformação da agricultura foi igualmente colocada entre as prioridades da SADC, numa região que continua a enfrentar problemas de segurança alimentar e vulnerabilidade às alterações climáticas.
Os países pretendem modernizar a produção agrícola, melhorar as infra-estruturas e reforçar as cadeias de abastecimento e de distribuição, aumentando a produção regional e reduzindo a dependência das importações. A cimeira analisou também a situação da segurança alimentar e nutricional e as medidas de preparação e resposta a desastres naturais, inclui oportunidades para aumentar a produção nacional, desenvolver o agro-processamento e integrar o país nas cadeias de abastecimento da África Austral.

Fundo de Desenvolvimento Regional
A operacionalização do Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC esteve igualmente entre os assuntos prioritários. O mecanismo deverá apoiar projectos regionais de infra-estruturas, industrialização, integração económica e desenvolvimento social, podendo contribuir para mobilizar financiamento para projectos estruturantes nos Estados-membros. A SADC considera o fundo importante para criar uma capacidade regional de financiamento e reduzir alguns dos constrangimentos que afectam a execução de projectos de integração.

Energia e integração económica
A transição energética e a necessidade de reforçar as redes regionais de electricidade também fazem parte da estratégia de industrialização. A SADC defende uma maior utilização do potencial hidroeléctrico, solar e eólico da região, bem como o desenvolvimento de linhas de transmissão através do Southern African Power Pool (SAPP).
Angola, com um significativo potencial hidroeléctrico e crescente investimento em energias renováveis, poderá desempenhar um papel relevante neste processo, ao mesmo tempo que procura ampliar a interligação eléctrica com os países vizinhos.

Geopolítica e segurança regional
A cimeira analisou ainda o impacto das transformações geopolíticas mundiais sobre a África Austral, incluindo as suas consequências económicas, comerciais e de segurança. A situação política e socioeconómica da região, a evolução da economia mundial e continental e a implementação das decisões tomadas em anteriores cimeiras estiveram igualmente na agenda.
A SADC pretende, desta forma, reforçar a capacidade colectiva dos seus 16 Estados-membros para responder a choques externos e defender os interesses económicos da região num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, alterações nas cadeias de abastecimento e crescente procura mundial por minerais estratégicos.

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