Sasol pretende exportar combustível de aviação sustentável para UE

A empresa petroquímica sul-africana Sasol quer exportar combustível de aviação sustentável (SAF) para a União Europeia (UE), depois de ter obtido certificação de uma agência alemã, abrindo caminho para o início das exportações, revelou um alto responsável da empresa ontem, quinta-feira, dia 23, citado pela agência Reuters.

O SAF da Sasol, produzido a partir de óleo de cozinha usado e óleo vegetal na refinaria Natref, com capacidade de 108.500 barris por dia, recebeu a certificação de sustentabilidade ISCC Plus da agência alemã TÜV SÜD. A mesma entidade certificou igualmente produtos químicos sustentáveis produzidos no complexo de Secunda, indicou a empresa.

“A África do Sul tem grandes quantidades de óleo de cozinha usado, que é recolhido, transportado para Durban e exportado para Roterdão, na União Europeia, onde é transformado em SAF”, afirmou Sarushen Pillay, vice-presidente executivo de estratégia e tecnologia da Sasol. “Agora, poderemos produzi-lo na África do Sul”, acrescentou.

O responsável não indicou quando a Sasol prevê iniciar as exportações para a União Europeia, que impõe uma taxa obrigatória de incorporação de SAF de 6% para aeronaves que utilizam aeroportos europeus até 2030, aumentando para 70% até 2050.

O conflito entre os Estados Unidos da América (EUA), Israel e o Irão tem reduzido significativamente o fornecimento global de combustível de aviação, sendo a UE uma das regiões mais afectadas, com a subida acentuada dos preços e a diminuição dos stocks a pressionarem as companhias aéreas antes de uma potencial época alta de Verão crítica.

Dependendo da procura dos clientes, a Natref, que está a ser convertida numa biorrefinaria híbrida, pretende produzir entre um e dois milhões de litros este ano, cerca de 16 milhões em 2027 e até 100 milhões de litros em 2030, no âmbito da estratégia da Sasol para reduzir a sua pegada carbónica e adaptar-se a novas especificações de combustíveis mais limpos.

A Sasol estabeleceu também parcerias com a Anglo American e a De Beers para utilizar plantas como a cultura Solaris, de elevado rendimento em óleo, visando desenvolver matéria-prima biolipídica para a sua produção de SAF.

Segundo um estudo do World Wide Fund for Nature — organização não-governamental dedicada à conservação ambiental —, a África do Sul tem potencial para produzir entre 3,2 e 4,5 mil milhões de litros de SAF por ano, principalmente a partir de vegetação invasora. “Este é um primeiro passo”, afirmou James Reeler, especialista em clima do WWF. “Essencialmente, a Sasol está a testar o mercado para perceber qual o diferencial de preço que pode obter para este produto, sendo isso crucial neste momento.”

No entanto, o especialista alertou que o mercado europeu continua a ser exigente para o combustível sintético de aviação (SAF) da Sasol, devido à dificuldade em rastrear e certificar as moléculas como renováveis no complexo altamente integrado de Secunda.

De acordo com um estudo da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO, sigla em inglês), de Maio de 2025, oito dos dez maiores utilizadores de SAF a nível mundial, incluindo o grupo IAG (proprietário da British Airways) e a Air France-KLM, têm presença na África do Sul.

“Oportunidades existem para estas companhias diversificarem o fornecimento de SAF com produto proveniente da África do Sul, desde que seja competitivo em termos de custo face a outras opções disponíveis no mercado global”, refere o estudo.

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