Angolana Maresa Pinto é uma das artistas presentes com obra na UPCycles dos PALOP em Maputo
A 5.ª edição da exposição da Residência Artística UPCycles inaugura hoje, sexta-feira, dia 10, às 18h30 (17h30 de Luanda) na Fortaleza de Maputo, Moçambique, reunindo obras de cinco artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), entre as quais da angolana Maresa Nzinga Pinto, criadas a partir de arquivos audiovisuais históricos.
De acordo com a nota de imprensa, a mostra apresenta trabalhos dos moçambicanos Mário Cumbana, Thandi Pinto e Délfio Muholove, da cabo‑verdiana Gilda Barros e da angolana‑alemã Maresa Nzinga Pinto. As obras resultam de dois meses de trabalho remoto, seguidos de duas semanas de residência presencial na cidade de Maputo.
Entre os destaques, Mário Cumbana cruza três momentos históricos — o Massacre de Mueda, o Acordo de Lusaka (7 de Setembro de 1974) e as manifestações de 2024 — a partir do filme homónimo de Ruy Guerra. Já Thandi Pinto propõe um arquivo especulativo de Moçambique, humanizando imagens etnográficas, enquanto Délfio Muholove apresenta uma instalação sobre edifícios abandonados na capital, questionando “que país estamos a construir?”
A artista Gilda Barros explora o mar e o sal com base em arquivos da Cinemateca Portuguesa, com enfoque no quotidiano das mulheres em Cabo Verde. Por sua vez, angolana-alemã, Maresa Nzinga Pinto aborda as histórias das Madgermanes — trabalhadores moçambicanos contratados pela antiga República Democrática Alemã — reinterpretando arquivos oficiais que, segundo a artista, “reduzem as pessoas a números.”
A sessão de inauguração contará ainda com a performance Arquivo 16, protagonizada por João Roxo e Nandele Maguni, que combina colagens de vídeo ao vivo com som analógico produzido no momento.
A residência é promovida pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM), com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian e apoio do Centro Cultural Franco‑Moçambicano, da Direcção da Cultura da Universidade Eduardo Mondlane / Fortaleza de Maputo, do Camões – Centro Cultural Português e do CIEBA‑FBAUL.
De acordo com Diana Manhiça, da AAMCM, o projecto já tem garantida a realização da sexta edição, graças ao financiamento contínuo da Fundação Gulbenkian. “Agradecemos essa confiança que depositam em nós, no conceito e na equipa que produz a UPCycles”, afirmou em comunicado.
A exposição estará patente até 10 de Maio, com entrada gratuita.