Fundo de Garantia e BIC facilitam acesso ao crédito

A materialização de projectos pelas micro, pequenas e médias empresas fica mais facilitada com um acordo assinado ontem, em Luanda, entre o Banco BIC e o Fundo de Garantia de Crédito (FGC), que estabelece a prestação automática de garantias para financiamentos com tecto de 200 milhões de kwanzas.

O acordo, rubricado pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) do FGC, Luzayadio Simba, e o da Comissão Executiva do Banco BIC, Hugo Teles, na presença do secretário de Estado para o Investimento Público, Ivan Santos, está inserido na estratégia estabelecida pelo Executivo para estimular a produção nacional por via dos empreendedores, em alinhamento com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023/2027.
É o oitavo acordo assinado entre o FGC e uma instituição bancária, sob supervisão do Instituto Nacional de Apoio às Micro Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), com critérios essenciais assentes na apresentação de projectos bancáveis e a solicitação do financiamento dirigida por escrito.

Luzayadio Simba declarou à imprensa que o FGC pretende inserir no programa o maior número de parceiros com disponibilidade para financiar a economia real, pois, disse, “estes acordos sinalizam o posicionamento do Fundo no ecossistema financeiro nacional e internacional”. A actuação da instituição que dirige permitiu ganhar visibilidade e reconhecimento no estrangeiro.

O Banco Mundial (BM), Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Fundo Africano de Garantias (AGF, sigla inglesa) apontou estarem entre as organizações que têm manifestado interesse em trabalhar com o FGC, na medida em que “começamos a ser reconhecidos pelo trabalho desenvolvido ao longo destes anos”.

O gestor recordou que, fruto da recente visita efectuada ao Brasil, marcada por vários contactos com instituições congéneres e com o Ministério da Agricultura do Brasil, o FGC também recebeu a visita de empresários que acompanharam o secretário de Estado da Agricultura daquele país.

O presidente da Comissão Executiva do BIC, Hugo Teles, disse, por seu lado, que o memorando é uma evidência de que “o Estado está a fazer um esforço no sentido de facilitar a concessão de crédito por via dos bancos”, de modo que cabe aos clientes apresentar os projectos, enquanto o banco se compromete em cumprir a sua missão de financiar a produção nacional.

“Os financiamentos até 200 milhões de kwanzas contam com garantias automáticas, o que significa que o valor da garantia é por escalão, ou seja, dos 10 milhões de kwanzas para cima cobrem 90 por cento do valor que vai baixando até os 50 por cento, até aos os 200 milhões de kwanzas”, indicou.

Hugo Teles recordou que o BIC continua a conceder créditos com garantias do FGC no valor até cinco milhões de dólares, num processo em que as garantias fazem a vez da dívida, ou seja, processos com um grau maior de complexidade, enquanto que 200 milhões de kwanzas se destinam a projectos mais pequenos, porque “não podemos dar passos maiores que a perna”.

Questionado sobre os efeitos da inflação, Hugo Teles disse que se trata de um fenómeno que sempre existiu em Angola e não cria qualquer constrangimento na concessão de crédito, uma vez que “o mais importante é a viabilidade do projecto”.

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