Violência xenófoba adensa-se na África do Sul
O Consulado do Zimbabwe na cidade do Cabo foi chamado a prestar assistência a 67 cidadãos e 21 crianças que foram desalojados das suas casas em Nompumelelo, nos arredores de KuGompo (East London), ou Buffalo City, na província do Cabo Oriental, durante o fim-de-semana.
Há também relatos de estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros a serem encerrados por grupos xenófobos no Cabo Oriental, com campanhas semelhantes contra imigrantes a ocorrerem em Durban.
De acordo com a publicação ‘MoneyWe, estas acções têm sido descritas como operações de “limpeza” por grupos como March and March, mas vídeos mostram o que parece ser residentes locais a confrontar estrangeiros e a exigir que regressem aos seus países de origem.
As tensões estão a agravar-se antes de um protesto anti-imigração agendado para 4 de Maio. “Somos xenófobos”, lê-se numa mensagem dos organizadores da manifestação. “Queremos que todos os estrangeiros, documentados ou não, saiam deste país com urgência.”
A eNCA – emissora de notícias – informou que três proprietários de lojas de origem somali foram mortos a tiro no centro de Joanesburgo, aparentemente no âmbito de uma escalada de conflitos por território. O vereador do bairro 59, Sthembiso Hlatshwayo, afirmou ter solicitado a intervenção do gabinete do primeiro-ministro de Gauteng, sem ter obtido resposta.
“As coisas estão piores neste momento, e vão piorar ainda mais. Eles estão a matar-se uns aos outros. Todas as semanas, matam dois, é uma realidade”, afirmou à eNCA.
Em certos círculos há a preocupação de que a violência xenófoba não esteja a receber a atenção devida por parte do Governo e das forças de segurança. O Gana apresentou um protesto formal relativamente ao tratamento dado a alguns dos seus cidadãos na África do Sul, enquanto a Nigéria e outros países manifestaram preocupação com a disseminação de linguagem xenófoba e violência.
Ramaphosa lembra o valor ubuntu
Na semana passada, o ministro interino da Polícia, Firoz Cachalia, condenou os actos de violência contra estrangeiros e prometeu levar os responsáveis à justiça.
O ministro das Relações Internacionais e Cooperação, Ronald Lamola, afirmou na semana passada a responsáveis governamentais que actos de ilegalidade, intimidação e violência contra comunidades migrantes “não têm lugar na nossa democracia constitucional.”
Por sua vez o Presidente Cyril Ramaphosa, discursando nas celebrações do Dia da Liberdade, em Bloemfontein, durante o fim-de-semana, referiu o papel de outras nações africanas no apoio à África do Sul no seu percurso rumo à liberdade política. “O Governo está a combater a corrupção no sistema de imigração e não permitirá que as pessoas façam justiça pelas próprias mãos.” E acrescentou: “Somos um povo que vive o valor do ubuntu. Nunca devemos permitir que as preocupações legítimas das nossas comunidades relativamente à imigração ilegal alimentem preconceitos contra os nossos irmãos africanos”, afirmou Ramaphosa.
O chefe de Estado acrescentou ainda que “não devemos permitir que essas preocupações deem origem à xenofobia, dirigida contra pessoas de outros países africanos ou de qualquer outra parte do mundo. Em vez disso, devemos exigir que a lei seja respeitada e aplicada. O Governo está a combater a corrupção no sistema de imigração e não permitirá que as pessoas façam justiça pelas próprias mãos”, concluiu.