Aumento do preço do petróleo pode gerar receitas adicionais de 2,9 mil milhões de euros, refere governo angolano
O Governo angolano anunciou, ontem, quarta-feira, dia 22, que as receitas devem crescer 2,9 mil milhões de euros com o aumento do preço do barril de petróleo, mas parte do montante será consumido com o subsídio aos combustíveis.
A previsão foi anunciada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, no final da I reunião extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, que abordou, entre outros assuntos, o impacto do conflito no Médio Oriente na economia angolana.
Segundo o governante, a leitura feita é que o conflito poderá ser mais longo do que se antecipava inicialmente, situação que coloca desafios a todos os países, incluindo Angola. “Temos uma economia aberta, que se relaciona com o mundo, exportando e importando bens e serviços e, por isso, teremos também efeitos directos do que acontece no Médio Oriente”, afirmou José de Lima Massano à imprensa, no final do encontro.
O responsável destacou o impacto directo para Angola, por ser um país produtor de petróleo, mas também importador de refinados, tendo referido que o Executivo está a prever que, com uma referência de preço médio do barril de petróleo até final do ano de cerca de 80 dólares, acima dos 61 dólares estabelecido no Orçamento Geral de Estado em vigor, esta alteração provoca um crescimento da receita em cerca de 2,9 mil milhões de euros.
“É o que antecipamos com este aumento do preço do barril do petróleo”, afirmou. Contudo, não haverá despesa adicional.
“Vamos continuar contidos ao limite estabelecido no OGE para 2026. A alteração que temos aqui, do ponto de vista do endividamento, é de termos uma menor necessidade. Nós trazíamos nesse orçamento de 2026 uma ida aos mercados, tanto domésticos como externos, para mobilizarmos cerca de 14 mil milhões de euros. Com este desenvolvimento poderemos ter menor necessidade”, apontou.
O montante previsto deverá ajudar na redução do défice orçamental, saindo dos 2,8% para pouco mais de 1%, “melhorando, por isso, as contas fiscais”, explicou o ministro.
“Temos ainda uma factura elevada com a importação de refinados, que subsidiados. Parte dos 2,9 mil milhões de euros serão consumidos com subsídios, o que acabará por limitar alguma da nossa acção e dos ganhos resultantes deste inesperado aumento do preço do barril de petróleo”, frisou.