Angola apela em Xangai para nova arquitectura de financiamento à industrialização africana
Angola voltou a colocar no centro do debate internacional o financiamento da industrialização africana. Em Xangai, o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns, defendeu uma nova arquitectura financeira que permita ao continente ultrapassar os constrangimentos da dívida e transformar o seu potencial económico em capacidade produtiva.
Na intervenção durante o Fórum subordinado ao tema ‘Além da Dívida: Financiar o Renascimento Industrial de África através da Inovação e da Parceria’, organizado pelo Banco da China, o governante identificou três obstáculos que continuam a travar a transformação económica africana: o elevado peso do serviço da dívida externa, os fluxos financeiros ilícitos e a concentração do investimento estrangeiro nas actividades extractivas.
Esta combinação, refere uma nota do Ministério da Indústria e Comércio a que a revista Economia & Mercado teve acesso, retira aos Estados recursos indispensáveis para construir infra-estruturas industriais, financiar a inovação tecnológica, qualificar jovens e criar empregos, disse Rui Miguêns de Oliveira no evento que se realizou à margem da 9.ª edição da Exposição Internacional de Importações da China (CIIE 2026), a decorrer até ao dia 10 do mês em curso.
A posição angolana aponta para uma mudança no modelo de financiamento do continente. Mais do que contrair empréstimos, África precisa de atrair capital privado, diversificar as fontes de financiamento e estabelecer parcerias que permitam transformar recursos naturais em produção, tecnologia e valor acrescentado.
No plano nacional, o político angolano apresentou a diversificação económica como prioridade do Executivo. Destacou o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), com enfoque na agro-indústria, na transformação de recursos minerais e na indústria transformadora, como instrumento para reduzir a dependência do petróleo e reforçar a capacidade produtiva nacional.
Sobre a relação com a China, o ministro reconheceu o contributo das instituições daquele país na construção de infra-estruturas rodoviárias, portuárias e energéticas. Defendeu, contudo, uma nova etapa de cooperação, menos concentrada na construção de infra-estruturas e mais orientada para a industrialização, a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de competências locais.
Angola manifestou igualmente abertura ao investimento chinês nos sectores da energia, água, estradas, telecomunicações, caminhos-de-ferro, portos, aeroportos, educação e formação profissional. A delegação angolana, composta por mais de 140 integrantes, procura também ampliar a presença das empresas nacionais nas cadeias internacionais de comércio e investimento.