Banco Mundial aponta Angola como referência de transformação económica em África

Albert Zeufack considera que a evolução dos indicadores macroeconómicos, o dinamismo da actividade não petrolífera e os projectos estruturantes, como o Corredor do Lobito, estão a abrir novas perspectivas de crescimento e de atracção de investimento para o país.

Angola está a dar sinais de uma transformação económica que a coloca entre os exemplos da capacidade de recuperação e mudança das economias africanas. A avaliação é de Albert Zeufack, director do Banco Mundial para Angola, República Democrática do Congo (RDC), Burundi e São Tomé e Príncipe, que assinala a evolução registada pelo país ao longo dos últimos dez anos, no âmbito da 6ª Cimeira da AFIS 2026, que decorreu dias 3 e 4 últimos, em Luanda.

O responsável recorda que, há cerca de uma década, quando exercia as funções de economista-chefe do Banco Mundial para África, Angola integrava o grupo de países que mais preocupações suscitavam em matéria de estabilidade macroeconómica. Na altura, o país apresentava uma das taxas de inflação mais elevadas do continente, num contexto marcado pela forte dependência das receitas petrolíferas e por sucessivos períodos de recessão.

Inflação em queda e crescimento fora do petróleo

O quadro económico apresenta actualmente diferenças significativas. Numa intervenção em Luanda, Zeufack destacou a redução da inflação para valores próximos de 8% e as perspectivas de crescimento económico acima de 4% este ano, com particular incidência na evolução positiva do Produto Interno Bruto (PIB) não petrolífero.

Para o representante do Banco Mundial, o desempenho das actividades não petrolíferas constitui um indicador relevante dos progressos alcançados na diversificação da economia e da emergência de novas fontes de crescimento, para além da exploração de hidrocarbonetos.

Esta evolução poderá contribuir para reforçar a confiança dos investidores e ampliar o interesse pelo mercado angolano, sobretudo num momento em que o país procura desenvolver infra-estruturas capazes de melhorar a competitividade e criar condições para a expansão da actividade empresarial.

Corredor do Lobito abre novas oportunidades

Neste domínio, o Corredor do Lobito assume particular importância. A infra-estrutura estabelece uma ligação entre a costa angolana e as regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia, constituindo uma plataforma estratégica para o transporte de mercadorias, o comércio regional e a integração económica da África Austral.

O projecto poderá igualmente estimular a participação do sector privado, através de oportunidades nos transportes, logística, armazenagem, serviços e outras actividades associadas ao desenvolvimento do corredor económico.

Reformas estruturais continuam a ser determinantes

Albert Zeufack reconhece o contributo das reformas promovidas pelas autoridades angolanas, considerando que as medidas adoptadas pela equipa económica do Governo começam a produzir efeitos e a criar uma base mais favorável ao investimento.

Apesar dos progressos identificados, a consolidação desta trajectória dependerá da continuidade das reformas estruturais, do aprofundamento da diversificação produtiva e da redução da exposição da economia às oscilações do mercado petrolífero.

A avaliação do Banco Mundial coloca, assim, Angola perante o desafio de transformar a melhoria dos indicadores macroeconómicos em crescimento sustentável, maior capacidade produtiva e oportunidades económicas capazes de atrair capital e gerar emprego.

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