Estado angolano desembolsou 817 milhões em combustíveis no 1º trimestre de 2026
O Estado angolano desembolsou cerca de 817 milhões de dólares na importação de combustíveis líquidos no primeiro trimestre de 2026, num período marcado por uma redução do volume adquirido e por uma forte dependência do exterior para garantir o abastecimento interno, de acordo com o director-geral do Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), Luís Fernandes.
Foram importadas 1,02 milhão de toneladas de combustíveis, o que representa uma queda de cerca de 23% face ao trimestre anterior. A descida, segundo o dirigente, reflecte uma normalização da procura após o pico registado no último trimestre de 2025, tradicionalmente mais intenso em consumo.
Apesar desta redução, os dados evidenciam a estrutura ainda fortemente importadora do sector, com 82,7% do abastecimento a depender do exterior, enquanto apenas 15,9% tiveram origem na Refinaria de Luanda e 1,4% na Cabgoc, em Cabinda. O peso reduzido da produção nacional foi agravado pela paralisação programada da Refinaria de Luanda para manutenção, iniciada a 15 de Fevereiro.
Em termos de composição, o consumo continua concentrado em produtos essenciais à actividade económica, com o gasóleo a liderar (52,4%), seguido da gasolina (32,9%). O restante cabaz inclui fuel oil (6,1%), MGO (3,8%), Jet A1 (3,4%) e petróleo iluminante (1,4%), evidenciando a forte ligação entre a procura energética e os sectores dos transportes, da indústria e da aviação.
No segmento da comercialização, o volume global de vendas, incluindo retalho (B2C), consumo empresarial (B2B) e bunkering, fixou-se em 1,09 milhões de toneladas, traduzindo igualmente uma quebra de 23,4%. Este desempenho reforça a leitura de que o primeiro trimestre constitui um período de ajustamento após a elevada sazonalidade do final do ano.
A rede de distribuição mantém-se relativamente extensa, com 1221 postos de abastecimento, dos quais 933 operacionais. A estrutura do mercado permanece, no entanto, altamente concentrada, com a Sonangol Distribuição e Comercialização a liderar, com 60,8% da quota de mercado, seguida da Pumangol (21,3%), Sonangalp (8,0%), TotalEnergies Marketing Angola (7,2%) e Etu Energias (2,7%).
Os dados do trimestre reforçam um dos principais desafios estruturais do sector energético angolano: a necessidade de reforçar a capacidade de refinação interna, de modo a reduzir a exposição cambial e a pressão sobre as contas públicas, particularmente num contexto de volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis.