China lidera largamente propostas de investimento estrangeiro em Angola

Nos últimos cinco anos, Angola recebeu 596 propostas de investimento avaliadas em cerca de 21,8 mil milhões de dólares, com investidores da China a dominarem 80% do total, segundo o presidente da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Arlindo das Chagas Rangel.

Enquanto empresas de Portugal apresentaram apenas 72 propostas avaliadas em 92,6 milhões de dólares, os investidores chineses dominaram o mercado, evidenciando a crescente influência da China na economia angolana. Este forte interesse reflecte a estratégia de Pequim de garantir acesso prioritário a recursos energéticos e minerais em África.

De acordo com a Ecofin Agency, Angola adoptou uma nova lei de investimento privado para reforçar o quadro de captação de financiamento, reduzindo os requisitos mínimos de capital, facilitando o repatriamento de capitais e eliminando a exigência de 35% de participação local para investidores.

As vastas reservas petrolíferas e o crescente potencial mineiro tornam o país um alvo estratégico para a China, que tem vindo a dar prioridade crescente à segurança de recursos a longo prazo, num contexto de pressões nas cadeias globais de abastecimento.

Investimentos em infra-estruturas, programas de privatização e concessões mineiras oferecem às empresas chinesas pontos estratégicos de entrada em sectores de elevado valor, incluindo energia, transportes e minerais industriais.

A competição pelos recursos de África está a intensificar-se. A privatização de mais de 100 empresas públicas em Angola desde 2019, juntamente com reformas como o Balcão Único do Investimento e a nova lei de investimento privado, melhorou a transparência, simplificou processos e reduziu os requisitos mínimos de capital.

Projectos como o Corredor do Lobito, uma linha ferroviária de cerca de 1300 quilómetros que liga o Porto do Lobito à fronteira com a República Democrática do Congo, ilustram como infra-estruturas estratégicas estão a melhorar o acesso aos recursos e ao comércio regional.

Os Estados Unidos da América (EUA) e a Rússia também procuram oportunidades nos sectores energético e mineiro no país, mas a combinação chinesa de financiamento apoiado pelo Estado, experiência em infra-estruturas e disponibilidade para concessões de longo prazo confere-lhe vantagem.

As nações africanas com abundantes reservas de petróleo e minerais são cada vez mais vistas como activos estratégicos, essenciais para a segurança energética, produção industrial e influência geopolítica.

À medida que Angola continua a modernizar o seu quadro de investimento e a expandir os sectores mineiro e energético, o domínio da China nas propostas de investimento sublinha o papel crescente do capital asiático em África e a intensificação da competição pela riqueza natural do continente.

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