Terroristas intensificam ataques no norte de Moçambique

O ataque à posição das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique aconteceu entre a noite de sexta-feira, dia 09, e a madrugada de sábado, dia 10, no posto administrativo de Mucojo, a 45 quilómetros da sede distrital de Macomia, na região central da província moçambicana de Cabo Delgado, disse à comunicação social local o administrador distrital, Tomas Badae.

“Tomaram sim, a posição e assaltaram-na, mas não temos mais informação se ainda estão lá ou já abandonaram”, disse Tomas Badae, administrador de Macomia.
Desde a ocorrência do ataque, as comunicações com Mucojo têm estado interrompidas. “Há problemas de comunicação em Mucojo, então torna-se difícil dizer se estão ainda lá ou não”, frisou, sem adiantar mais detalhes.
Relatos de residentes locais à imprensa dão conta de várias baixas entre os militares moçambicanos, mas não há ainda confirmação das autoridades. Os confrontos levaram algumas pessoas a abandonar os seus campos de produção.
“Os terroristas estão a matar e a situação está cada vez mais difícil”, lamentou à Lusa uma fonte a partir de Macomia.
Na manhã de sábado, os terroristas atacaram a comunidade de Litamanda, também em Macomia, onde, segundo fontes locais, terão matado uma jovem de 19 anos. “Litamanda tem um número muito reduzido de pessoas a viver lá e, acho eu, por isso eles entraram. A jovem foi encontrada morta nas imediações”, disse à Lusa uma fonte próxima à vítima.
A situação gerou pânico entre os moradores, parte dos quais decidiram abandonar a aldeia para se refugiarem na vizinha comunidade de Chai, onde tem uma posição militar. A aldeia de Litamanda faz fronteira com o distrito de Muidumbe.
Entretanto, o Estado Islâmico reivindicou a morte de nove militares do Exército moçambicano e de um número não determinado de “cristãos”, no ataque a uma aldeia de Macomia, na província de Cabo Delgado.
Através dos seus canais de propaganda, o Estado Islâmico afirmou que o ataque teve lugar no dia 5, na povoação de Chai, centro do distrito de Macomia, alvo de outras incursões violentas nas últimas semanas.
O relato do grupo terrorista referiu igualmente que colocaram fogo a casas e veículos naquela “aldeia cristã”, tendo-se apoderado de armamento deixado pelos militares.
A Lusa não conseguiu, todavia, confirmar a veracidade deste anúncio junto das autoridades moçambicanas, mas no mesmo canal de propaganda o grupo terrorista afirma que está a expandir a sua acção, tendo inclusive garantido que atacou com metralhadoras uma patrulha naval moçambicana no litoral de Macomia, em 2 de Fevereiro.
Refira-se que a província de Cabo Delgado enfrenta, desde Outubro de 2017, uma insurgência armada com alguns ataques reivindicados com o grupo extremista Estado Islâmico, que levou a uma resposta militar desde Julho de 2021, com apoio do Ruanda e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projectos do gás.

Após um período da relativa estabilidade, nas últimas semanas novos ataques e movimentações foram registados em Cabo Delgado, embora localmente as autoridades suspeitem que a movimentação esteja ligada à perseguição imposta pelas Forças de Defesa e Segurança nos distritos de Macomia, Quissanga e Muidumbe, entre os mais afetados.

De acordo com o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) o conflito já fez um milhão de deslocados, e cerca de 4 mil mortos.

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