Sul-africano criador mundial de rinocerontes acusado de tráfico de chifres
O maior criador de rinocerontes do mundo, John Hume, e outras cinco pessoas foram acusadas na última terça-feira, dia 19, de alegado tráfico transnacional de chifres, declarou a unidade de elite da polícia sul-africana Hawks.
Os suspeitos, com idades compreendidas entre 49 e 84 anos, que compareceram ao Tribunal de Magistrados de Pretória, estão a ser acusados de fraude, roubo, extorsão, lavagem de dinheiro e violação das leis de protecção ambiental.
Todos eles foram libertados sob fiança, com a obrigação de comparecerem numa próxima audiência marcada para dia 9 de Dezembro, sendo que o empresário John Hume vai ter de pagar o valor mais alto entre os suspeitos.
A Hawks concluiu uma investigação de sete anos sobre tráfico transnacional de chifres de rinoceronte, que desvendou um esquema que envolve 964 chifres destinados a mercados ilegais no sudeste asiático.
“Uma vitória decisiva na luta da África do Sul contra os crimes internacionais contra a vida selvagem”, declarou em comunicado o ministro das Florestas, Pesca e Meio Ambiente, Dion George, ressaltando a determinação do Governo sul-africano em proteger a biodiversidade e em fazer cumprir a lei.
John Hume possuía mais de 2.000 rinocerontes brancos, o que representa cerca de 15% da população mundial dessa espécie, que é caçada ilegalmente devido aos seus chifres, que podem chegar a 60.000 dólares no mercado negro.
Hume, que vendeu a reserva Platinum Rhino em 2023 para a Organização Não-Governamental (ONG) African Parks, gerou polémica em 2017 após realizar um leilão online de chifres de rinoceronte, argumentando que o comércio legal poderia reduzir a caça ilegal.
Embora a lei sul-africana permita o comércio interno de chifres, o comércio internacional continua proibido pela CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção desde 1977.
Nos primeiros três meses de 2025, 103 rinocerontes foram mortos por caçadores ilegais na África do Sul e 420 em 2024, de acordo com dados do Governo.
Assim como o marfim, os chifres de rinoceronte são usados na medicina tradicional pelas suas supostas propriedades afrodisíacas, mas também são uma marca de prestígio social.