Presidente deposto do Níger aparece publicamente pela primeira vez desde o golpe
O presidente deposto do Níger, Mohamed Bazoum, foi visto pela primeira vez desde que os militares o detiveram, na sequência do golpe de Estado da semana passada.
Bazoum encontrou-se ontem, dia 31, com o líder do Chade, Mahamat Idriss Déby Itno, na capital do Níger, Niamey. Mahamat Idriss Déby, que também se encontrou com os líderes do golpe, está a liderar os esforços de mediação, depois de os líderes da África Ocidental terem dado aos militares do Níger sete dias para abandonarem o poder.
Ontem, a junta acusou o governo deposto de autorizar a França a efectuar um ataque para tentar libertar o Bazoum. Na sexta-feira, o general Abdourahmane Tchiani, chefe da unidade da guarda presidencial, declarou-se o novo governante do Níger.
O líder chadiano afirmou que o seu esforço de mediação tinha como objetivo encontrar uma “solução pacífica para a crise que está a abalar” o Níger, que faz fronteira com o Chade. Ontem o seu gabinete divulgou uma fotografia em que aparece sentado ao lado de um sorridente Bazoum.
Déby foi enviado ao Níger pelos líderes do bloco regional da África Ocidental, a CEDEAO, que no domingo deu à junta uma semana para repor o presidente eleito, que tem estado confinado ao palácio presidencial em Niamey. O bloco regional “tomará todas as medidas necessárias para restabelecer a ordem constitucional” se as suas exigências não forem satisfeitas. “Essas medidas podem incluir o uso da força”, acrescenta um comunicado, citado pela BBC.
A junta ainda não comentou as exigências, mas prometeu defender o Níger de qualquer “agressão” por parte de potências regionais ou ocidentais, ao mesmo tempo que acusou a França, antiga potência colonial, de planear uma intervenção militar.
Ontem, segunda-feira, o coronel Amadou Abdramane, um dos líderes do golpe, afirmou que o governo derrubado tinha autorizado a França a atacar o palácio presidencial para tentar libertar Bazoum.
Paris, contudo, não comentou estas acusações. Numa declaração citada pela agência noticiosa Reuters, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês afirmou que a única autoridade que reconhecia no Níger era a do Presidente Bazoum. Também na segunda-feira, o partido de Bazoum afirmou que seis dos seus dirigentes se encontravam entre os 130 membros detidos pela junta militar.
No domingo, os manifestantes que se encontravam à porta da embaixada francesa em Niamey gritaram “Viva a Rússia”, “Viva Putin” e “Abaixo a França”, tendo incendiado algumas paredes do complexo da embaixada. Reagindo a estas acções, a França já fez saber que não tolerará qualquer ataque aos seus interesses no Níger e responderá de “forma imediata e intratável”, afirmou o gabinete do Presidente Emmanuel Macron.
Refira-se que a França e os EUA possuem bases militares no Níger.