Presidente convida empresários japoneses a investir em Angola

O Chefe de Estado , João Lourenço, afirmou, esta segunda-feira, durante o Fórum de Negócios Japão-Angola, que a participação no evento serviu para o aprofundamento do diálogo e troca de pontos de vista sobre as diversas oportunidades de investimento existentes nos dois países.

Segundo o Presidente da República, o Japão, como terceira maior economia mundial e com um grande volume de importações, as empresas angolanas podem beneficiar deste aspecto da economia japonesa, exportando para este mercado produtos de que se tem ou se venha a ter vantagens comparativas para além das já tradicionais matérias-primas.

João Lourenço, depois de agradecer a Organização para o Comércio Externo do Japão (JETRO), pela iniciativa em parceria com a Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), destacou que a cooperação entre Angola e o Japão tem estado assente numa base de complementaridade com ganhos para ambas as partes e, sobretudo, com a visão de alcançar e reforçar o desenvolvimento económico e social dos dois países.

“É com base neste clima de cooperação que Angola tem beneficiado do know-how e do apoio financeiro do Japão em diversos domínios, quer públicos como privados. Angola vem beneficiando, ao longo dos anos, de várias linhas de crédito japonesas para financiar projectos de investimento público de grande impacto na nossa economia”, disse o Presidente no evento que reuniu membros dos Governos do Japão e de Angola, bem como empresários japoneses dos mais diversos sectores de actividade que, com a sua presença, demonstraram a firme vontade de investir em Angola.

O Chefe de Estado informou que foram reabilitadas e apetrechadas, com equipamentos de ponta, três fábricas têxteis, nomeadamente a Textang II, em Luanda, a África Têxtil, em Benguela, e a Satec, no Dondo, província do Cuanza-Norte. Destacouque estas fábricas estão hoje a funcionar normalmente sob gestão de empresas privadas, na sequência da recuperação de activos do Estado que se encontravam indevidamente nas mãos de particulares que as deixaram paradas durante vários anos.

“Estes projectos vão contribuir para o desenvolvimento da cadeia de valor do sector têxtil de Angola, podendo fazer do nosso país um importante produtor e exportador de tecidos e produtos de confecções de elevado padrão de qualidade”, sublinhou o Presidente no Fórum de Negócios Japão-Angola, realizado nesta segunda-feira, em Tóquio.

Fomento das unidades industriais

O Presidente da República disse, também, que a entrada em funcionamento destas unidades industriais vai fomentar a produção local de algodão, assegurando a oferta da matéria-prima fundamental para a indústria têxtil angolana.

De acordo com João Lourenço, com base no projecto de cooperação com a Agência de Cooperação Internacional do Japão, em Agosto de 2019, foi concluída a obra da segun-da fase de reabilitação do Porto do Namibe, tendo sido assinado, no mesmo ano, o contrato de empreitada do Projecto Integrado da Baía do Namibe, que está a ser desenvolvido pela empresa japonesa Toyota Tsusho.

“Este projecto inclui a construção do terminal de contentores do Porto do Namibe, para além da reforma e reconstrução do terminal de exportação de minério de ferro no Sacomar, na mesma província do Namibe. Com estes investimentos, espera-se um incremento no volume das exporta-

ções e das importações de vários produtos, com efeitos positivos no desempenho da economia nacional e daquela região do país”, realçou o estadista angolano perante os mais de 100 homens de negócios nipónicos e angolanos.

Sector das Telecomunicações

No sector das Telecomunicações, João Lourenço considerou importante ressaltar a participação da empresa japonesa NEC Corporation e do JBIC, que tornaram possível a instalação dos Sistemas de Cabos Submarinos do Atlântico Sul (SACS), que conectam Angola e o Brasil e que entraram em funcionamento em Outubro de 2018.

“Muitos outros projectos de investimento público e privado estão a ser implementados por empresas japonesas em Angola e, ao longo deste fórum de negócios, certamente que teremos a oportunidade de falar deles”, reforçou o Presidente da República.

Reformas

O Chefe de Estado aprovei-tou o Fórum para realçar que Angola está a implementar importantes reformas para tornar-se num país cada vez mais aberto ao mundo, sobretudo, com um clima de negócios mais acolhedor do investimento privado nacional e estrangeiro.

Como resultado destas reformas, acrescentou João Lourenço, Angola dispõe hoje de um ambiente de maior transparência, de boa governação, com acções claras de combate à corrupção e à impunidade.

“Somos um país que respeita e protege a propriedade privada e a sã concorrência entre os agentes económicos e que defende e assegura a melhoria na circulação internacional de capitais, dos rendimentos e dos dividendos”, apontou.

Disse que o Executivo vai continuar a aprofundar as reformas iniciadas, para promover o desenvolvimento do capital humano nacional e o desenvolvimento sócio-económico do país, considerando que para a plena realização destas tarefas é vital a participação do sector privado, por ser o motor para o crescimento e desenvolvimento de Angola.

Convite para investir em Angola

“Convidamos os empresários japoneses a investir em Angola nas mais diversas oportunidades de negócios, com realce para os diversos sectores de actividade económica para além da extracção de petróleo e gás, em sectores produtivos como a agropecuária, as pescas, a indústria, o turismo e os serviços, mas também em sectores com impacto social como são os casos da Saúde e da Educação”, prosseguiu o Presidente da República.

Na óptica do estadista, Angola pretende desenvolver todos estes sectores, mas com maior destaque para o sector agroindustrial, visando au-mentar a oferta de emprego, alcançar a auto-suficiência de bens no mercado interno e diversificar as exportações.

Neste sentido, frisou, o Governo angolano dará todo o apoio necessário às intenções de investimento dos empresários japoneses nos diversos sectores da Economia.

O Presidente João Lourenço referiu que os Governos de Angola e do Japão estão a trabalhar incansavelmente na negociação e aprovação do Acordo de Protecção Recíproca de Investimentos (APRI), instrumento de cooperação que gostaria de ver concluído durante esta visita ao país asiático, como sinal da importância que se dá ao investimento privado dos empresários angolanos no Japão e dos empresários japoneses em Angola.

Projectos de investimento

No mesmo evento, o estadista aproveitou a ocasião para saudar as diversas intenções e projectos de investimentos que empresas japonesas têm manifestado interesse em desenvolver em Angola, como a do Grupo Toyota Tsusho, que tenciona instalar no país uma linha de montagem de veículos e fábrica de peças sobressalentes.

“Este e outros projectos serão apoiados pela nossa Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), bem como pelos diversos departamentos ministeriais e entidades do Governo. Como regra, as instituições financeiras do Japão apresentam termos e condições de financiamento favoráveis, com juros baixos e prazos de re-embolso suficientemente largos”, reafirmou.

Destacou que o Executivo angolano tem muito interesse em trabalhar com as autoridades do Japão na estruturação de linhas de financiamento com estas características para apoiar o esforço de diversificação da economia nacional no que respeita à expansão e modernização das infra-estruturas do país e, também, para potenciar o sector empresarial privado.

Para o Presidente João Lourenço, os dois povos partilham diversas características similares, como a capacidade de resiliência para ultrapassar grandes obstáculos. Acrescentou que o Japão, um país insular no Oceano Pacífico, é o berço de um povo que o mundo admira pela cultura milenar, mas, sobretudo, pela coragem e capacidade demonstradas em ultrapassar as consequências nefastas de uma guerra devastadora, ao se reerguer das cinzas e ter construído uma das mais sólidas e modernas economias do mundo.

“Angola viveu muitos anos de conflito armado e o nosso povo demostrou igualmente ter capacidade de resiliência para ultrapassar o choque negativo que a guerra acarreta às nações. É por este motivo que Angola e o Japão são solidários com todas as soluções de paz que se possam encontrar para os diversos conflitos que hoje se registam em diversos locais do mundo, como é o caso do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que colocam em risco a paz e segurança mundiais”, reconheceu.

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