Oposição congolesa planeia protestos nas ruas
“Vamos protestar porque não podemos aceitar outro golpe de Estado”, disse à agência de notícias Reuters Martin Fayulu, um dos principais adversários do Presidente Félix Tshisekedi nas eleições que tiveram lugar a 20 de Dezembro na República Democrática do Congo (RDC).
Cinco candidatos da oposição convocaram uma manifestação conjunta esta quarta-feira, dia 27, na capital da RDC, Kinshasa, para protestar contra as alegadas irregularidades eleitorais, apesar de o Governo ter proibido os protestos.
“Nenhum governo do mundo pode aceitar isto, por isso não vamos permitir que aconteça”, disse o vice-primeiro-ministro, Peter Kazadi, numa conferência de imprensa, realizada recentemente.
A votação foi marcada por caos técnico e logístico, com atrasos na abertura das urnas que obrigaram a prolongar a votação. Os resultados preliminares parciais indicam que o actual Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, segue à frente na contagem.
Os candidatos que convocaram o protesto criticaram fortemente a votação e, em especial, a decisão da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) de prolongar a votação nas assembleias de voto que não abriram no dia previsto para o acto eleitoral e apelaram a uma repetição total da votação.
Num relatório preliminar sobre a votação, o Centro Carter, com sede nos Estados Unidos, que enviou uma missão de observação às eleições, concluiu que “pelo menos 19 mortes, incluindo dois candidatos, foram atribuídas à violência relacionada com as eleições.”
A missão concluiu que “as eleições tiveram uma boa participação dos cidadãos, que demonstraram um forte empenho na democracia”, mas “houve uma falta de confiança no processo, bem como lacunas na transparência”, especialmente no que diz respeito ao registo dos eleitores.
A Missão de Observação Eleitoral da União Africana (AEOM) afirmou que “as eleições decorreram num ambiente relativamente calmo com desafios logísticos significativos”. E exortou as autoridades e os actores políticos à contenção, criando um quadro para um diálogo político aberto e inclusivo, a fim de preservar a coesão nacional e a estabilidade política.”