OMC revê crescimento das exportações africanas na ordem dos 5,3%, para 2025

A Organização Mundial do Comércio (OMC) actualizou a sua previsão para o desempenho comercial da África em 2025, projectando um aumento de 5,3% nas exportações e de 11,8% nas importações, sinalizando uma recuperação no comércio do continente após dois anos de crescimento lento, divulgou a publicação digital ‘Further Africa’.

A revisão, anunciada no Relatório de Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global de Outubro de 2025 da OMC, reflecte uma renovada resiliência nos mercados africanos, impulsionada pela moderação da inflação, uma integração regional mais forte e uma melhoria na capacidade logística.

Os números mais recentes da OMC representam uma das perspectivas comerciais mais fortes para África desde o início da pandemia. Em termos de volume, a expansão comercial do continente está a superar a média global, apoiada pela forte procura de matérias-primas, pelo crescimento do comércio intra-africano no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) e pelo aumento da produção industrial em economias como a do Egipto, Quénia e Nigéria.

Estabilidade macroeconómica e ajustamentos cambiais na origem do crescimento

Esta revisão em alta contrasta fortemente com a previsão da OMC de Abril de 2025, que estimava um crescimento das exportações de apenas 0,6% e um crescimento das importações de 6,5%. A recuperação sublinha como a estabilidade macroeconómica e os ajustamentos cambiais nas principais economias começaram a dar frutos.

“O desempenho comercial do continente neste ano está a ser moldado por uma combinação de disciplina fiscal, abrandamento da inflação e reformas estruturais que aumentam a competitividade”, afirmou um economista da Organização Mundial do Comércio familiarizado com o relatório.

O crescimento previsto de 11,8% nas importações aponta para uma expansão do mercado interno e uma melhoria nos níveis de consumo, particularmente em economias que estão a investir fortemente em infra-estruturas, energia e manufactura. As importações de máquinas, combustíveis refinados e bens intermédios aumentaram em várias economias, reflectindo tanto a reestruturação industrial como o desenvolvimento urbano.

No entanto, a OMC alertou que o aumento das importações também pode ampliar os défice comerciais no curto prazo, especialmente para nações dependentes de recursos naturais com fraca diversificação das exportações. À medida que os Governos buscam agendas de industrialização, os formuladores de políticas precisarão de equilibrar a procura por bens de capital importados com estratégias que promovam a agregação de valor local.

Diversificação modesta mas em crescimento

O crescimento de 5,3% das exportações africanas sinaliza uma diversificação modesta, mas encorajadora, além das commodities tradicionais. Sectores como produtos agrícolas processados, componentes automotivos e têxteis manufacturados estão a mostrar um impulso ascendente, impulsionado pelo melhor acesso aos mercados regionais sob a ZCLCA e investimentos direccionados em zonas de processamento de exportações.

As exportações de petróleo e gás também deverão recuperar, particularmente de Angola, Nigéria e Moçambique, à medida que a procura global estabiliza e os preços permanecem estáveis. Entretanto, o ouro, o cobre e os minerais críticos continuam a proporcionar receitas significativas em divisas, mesmo com os Governos a pressionarem por um maior desenvolvimento da cadeia de valor dentro do continente.

Reformas políticas e integração regional impulsionam a confiança

Por detrás da melhoria nas perspectivas comerciais está uma mudança mais ampla na governança económica de África. A consolidação fiscal, as reformas cambiais e as políticas para atrair investimento directo estrangeiro (IED) melhoraram o sentimento dos investidores. O relatório da OMC destaca especificamente os sistemas alfandegários aprimorados, a digitalização da documentação comercial e os investimentos em infra-estrutura regional como factores-chave.

A ZCLCA também está a ganhar força, com o comércio intra-africano projectado para crescer ao dobro do ritmo do comércio com parceiros externos até 2030. Este impulso é vital para isolar o continente de ventos contrários globais, como interrupções na cadeia de abastecimento, políticas comerciais proteccionistas e tensões geopolíticas.

Equilibrar oportunidades e riscos

Apesar das perspectivas positivas, a OMC alerta que a recuperação do comércio africano continua vulnerável a choques externos. Desafios persistentes — incluindo altos custos de transporte, volatilidade cambial e financiamento limitado à exportação — continuam a restringir as economias menores.

Além disso, o ambiente comercial global permanece incerto face ao aumento do proteccionismo e à recuperação mais lenta das economias avançadas. Para manter o impulso, os países africanos devem continuar a implementar reformas pró-crescimento, investir em infra-estrutura logística e fortalecer os ecossistemas de financiamento comercial.

Um momento continental para a resiliência comercial

A revisão em alta do comércio africano representa um impulso psicológico significativo tanto para os decisores políticos como para os investidores. É um sinal de que a narrativa de recuperação do continente é agora sustentada por progressos tangíveis na eficiência da cadeia de abastecimento, na coordenação de políticas e na cooperação económica regional.

Se a trajectória continuar, 2025 poderá destacar-se como um ano crucial para a reintegração de África nas redes comerciais globais, um ano que estabelecerá as bases para uma industrialização inclusiva e competitividade a longo prazo.

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