Níger e Burquina Faso anunciam retirada do G5 Sahel

Seguindo as pisadas do Mali, o Burquina Faso e o Níger anunciaram a sua retirada do G5 Sahel. Num comunicado de imprensa, os dirigentes destes dois países afirmam que a organização, criada há nove anos para lutar contra o terrorismo na região do Sahel, tem dificuldade em atingir os seus objectivos.

A decisão dos dois países de abandonar a força do G5-Sahel não constitui propriamente uma surpresa. Em Setembro último, após a assinatura de uma carta de defesa pela aliança de Estados do Sahel, constituída pelo Mali, o Níger e o Burquina Faso, vários analistas notaram que o grupo se afastava cada vez mais da força do G5-Sahel, actualmente reduzida a dois países: Chade e Mauritânia.

Para anunciar a sua saída da organização, o Níger e o Burquina Faso utilizam a mesma retórica que o seu aliado Mali, que já bateu a porta a esta força antiterrorista sub-regional em Maio de 2022: a ineficácia da organização nove anos após a sua criação, diz o comunicado conjunto, que acrescenta “a sua instrumentalização por pessoas de fora.”

É sabido que o G5 Sahel não dispõe de verdadeiros meios no terreno para combater o terrorismo. Os cinco países que inicialmente constituíram a força nunca conseguiram mobilizar as tropas que anunciaram. Por seu lado, a comunidade internacional nunca mostrou disponível fornecer os meios efectivos que a organização várias vezes solicitou.

Do G5 Sahel ao novo G3

Nesta fase, fica uma questão por responder: Como deve ser abordada a luta contra o terrorismo e a criminalidade transfronteiriça, agora que três dos cinco países membros abandonaram o G5? Enquanto o Chade e a Mauritânia são considerados os dois pilares da antiga força antiterrorista, o Mali, Níger e Burquina Faso continuam a ser o epicentro dos ataques jihadistas no Sahel.

Após se terem unido numa aliança defensiva em Setembro passado, é de esperar que estes três países reforcem as suas relações militares e de segurança. A carta de 17 pontos, assinada em Setembro passado por este trio de regimes militares, fala da criação de uma arquitetura de defesa colectiva e de assistência mútua. Já existem operações militares conjuntas no terreno contra os jihadistas, com resultados bastante díspares.

Para os observadores, sem a colaboração de outros países mais bem equipados para combater os jihadistas, o que pode ser descrito como o “novo G3” dificilmente poderá derrotar o terrorismo que está a assolar o seu espaço. É por isso que a Rússia pode tornar-se um aliado importante. Depois do Mali e do Níger, a junta do Burquina Faso recebeu, este fim de semana, uma importante delegação militar russa enviada pelo Presidente Vladimir Putin.

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