Museveni nomeia filho para chefia das Forças Armadas

O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, que governa o país com mão-de-ferro desde 1986, promoveu o seu filho Muhoozi Kainerugaba a chefe das Forças Armadas.

O anúncio, tornado público num comunicado do Ministério da Defesa na noite de quinta-feira, dia 21, surge após anos de especulação sobre o futuro de Muhoozi Kainerugaba, um general de 49 anos que costuma fazer declarações polémicas nas redes sociais.

Museveni, de 79 anos, é um dos líderes há mais tempo no poder em África. De acordo com muitos observadores, Muhoozi Kainerugaba é apontado como sucessor do pai, embora tenha negado no passado que tencionasse suceder-lhe.

Numa mensagem publicada em 2023 no X (ex-Twitter), e rapidamente retirada, anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais de 2026, dizendo que era “altura de a nossa geração brilhar”. Nesse anúncio, pareceu chamar o pai à razão, escrevendo: “Quantas pessoas concordam comigo que chegou a nossa hora? Estamos fartos de homens velhos a governar e a dominar-nos. Está na altura de a nossa geração brilhar.”

Após uma controvérsia em 2022 sobre uma mensagem do seu filho em que este ameaçava invadir o Quénia, Museveni pediu-lhe que deixasse de postar assuntos do país. Na altura, o Presidente Museveni pediu desculpa ao Quénia, mas defendeu o seu filho, descrevendo-o como um “excelente general” e promovendo-o a esse posto alguns dias depois.

Enquanto militar de alta patente, Kainerugaba não está normalmente autorizado a falar publicamente sobre questões políticas, mas tem interferido frequentemente nestas discussões, causando dores de cabeça diplomáticas ao Uganda. Os seus tweets de apoio aos rebeldes Tigré, na Etiópia, suscitaram a ira de Adis Abeba, e as suas opiniões sobre a invasão russa da Ucrânia e o golpe de Estado de 2021 na Guiné também suscitaram muita polémica.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...