Moçambique despede-se de Rosita, a bebé que nasceu em cima de uma árvore nas cheias de 2000

Rosita Salvador Mabuiango, conhecida como “bebé milagre” por ter nascido em cima de uma árvore durante as cheias de 2000 em Moçambique, morreu na madrugada de ontem, dia 12, a pouco menos de dois meses de completar 26 anos.

Rosita Salvador Mabuiango foi considerada uma “bebé milagre” por ter nascido em cima de uma árvore à qual a mãe tinha subido para escapar às cheias de 2000, em Moçambique. Agora, 25 anos depois, não resistiu a uma anemia.

Segundo adiantou a irmã à BBC, Rosita morreu “após uma longa doença”. Já o pai, Salvador Mabuiango, disse à Lusa que “Rosita morreu às 5h00 [4h00 em Luanda] de hoje, mas há dois meses que andava doente de anemia.”

Na época, a história emocionou o mundo e a imagem da recém-nascida e da mãe a serem regatadas de helicóptero tornou-se um dos símbolos das cheias de Moçambique, que vitimaram centenas de pessoas entre Fevereiro e Março de 2000.

A mãe de Rosita – Sofia Pedro, com então 22 anos – passou quatro dias em cima de uma mafurreira, cercada pelas águas das cheias que devastaram os vales dos rios Limpopo e Save. Acabou por entrar em trabalho de parto e ter Rosita sozinha. Ambas foram resgatadas cerca de uma hora depois.

“Era um domingo à tarde, por volta das 16h00, e as águas começaram a subir”, contou, na altura, segundo a Cruz Vermelha. “A água estava a chegar muito perto da casa e a ficar cada vez mais forte, por isso, como todos os outros na aldeia, corremos para as árvores. Coloquei os meus dois filhos pequenos às costas e tentei subir. Foi muito difícil. Éramos 15 pessoas no total e estivemos lá quatro dias. Rezámos muito”, acrescentou.

A mãe e filha tornaram-se o rosto do desastre e, ainda em 2000, visitaram os Estados Unidos para discursar no Congresso e ajudar a sensibilizar as pessoas para o ocorrido.

Em declarações à BBC, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou estar “muito triste” com a notícia e endereçou os seus “sentimentos à família enlutada”: “Ela era um símbolo para as raparigas em Moçambique. Por isso, apresento as minhas condolências a todo o povo moçambicano, especialmente às raparigas moçambicanas”, disse.

Já o presidente do Município do Chibuto, Henriques Machava, de onde Rosita era natural, em declarações à imprensa, afirmou que a autarquia se iria encarregar de todas as despesas relacionadas com o funeral que terá lugar hoje.

O mesmo responsável adiantou à agência Lusa que Rosita morreu à porta de um hospital, antes de receber tratamento. “Andou doente durante algum tempo, melhorou e teve alta, estava em casa. Então, hoje de manhã teve uma recaída e foi levada ao hospital, mas morreu à porta do hospital”, contou.

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