Mais de 17 mil metros cúbicos de madeira apreendida colocados à venda
O Governo angolano colocou à venda perto de 17.500 metros cúbicos de madeira da espécie Mussivi, retida, desde 2018, em dois entrepostos florestais por corte ilegal, anunciou, ontem, quinta-feira, dia 12, o Ministério da Agricultura e Florestas.
Segundo um comunicado citado pela Lusa, o Ministério realça que, em 2024, foi produzido um despacho ministerial que estabelecia a necessidade da suspensão temporária da exportação da espécie Guibourtia Coleosperma, mais conhecida por Mussivi, como medida de protecção, conservação e uso sustentável da madeira.
A mesma fonte refere a existência de igual espécie de madeira retida em parques portuários, armazéns e depósitos particulares, gerando avultadas despesas por pagar aos serviços aduaneiros pelos longos períodos de estadia dos contentores em recintos portuários.
Ainda segundo o documento, o país dispõe de uma média de oito indústrias que produzem material escolar e uma crescente procura por estabelecimentos de ensino, o que justifica “a confecção de tampos, cadeiras, secretárias, portas, janelas, soalhos, armações, armários, camas, cómodas e tantos outros equipamentos sociais utilitários de boa qualidade.”
Sobre o assunto, o director nacional de Florestas, Domingos Veloso, referiu que os cerca de 17.500 metros cúbicos de madeira estão concentrados nos entrepostos de Maria Teresa, que tem o maior volume deste produto, com cerca de 16 mil metros cúbicos, e no entreposto de Caxito, com cerca de mil metros cúbicos.
Espécie de alta qualidade
“Estamos aqui para estender um convite às indústrias nacionais de mobiliários, às escolas de artes e ofícios, às carpintarias, aos serviços prisionais do Ministério do Interior, a todas essas instituições, unidades de processamento da madeira, para que se dirijam aos entrepostos de produtos florestais mencionados. Temos muita matéria-prima apreendida e retida nestes locais”, apelou.
O responsável frisou que a espécie florestal, “de alta qualidade”, está organizada em lotes comerciais, e “pode ser aproveitada para fazer mobiliários de alto padrão, mas também pode ser utilizada para fazer mobiliário escolar.”
De acordo com o governante, apesar da suspensão, a actividade de corte “continuou a decorrer de forma clandestina”, considerando que a fiscalização “é um dos principais ‘calcanhares de Aquiles’ do sector florestal”, mesmo contando com o apoio da Polícia Nacional e das Forças Armadas Angolanas.
A madeira Mussivi, explicou Domingos Veloso, é uma espécie nativa, de crescimento lento, que pode levar no mínimo entre 80 e 100 anos, para atingir a etapa da maturidade, decorrendo presentemente alguns ensaios, pelo Instituto de Segurança Social das forças armadas, da sua produção em viveiros, na província do Bié.
Paralelamente, as autoridades têm desenvolvido outros projectos, em províncias do planalto central, utilizando a mesma espécie, que é maioritariamente encontrada no sudeste do país e algumas regiões do centro.