SIC desmantela rede suspeita de decapitar pessoas por crenças de feitiçaria no Moxico-Leste

Uma alegada rede criminosa envolvida em homicídios por decapitação foi desmantelada pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) na província do Moxico-Leste, numa operação que expôs a dimensão que determinadas crenças associadas ao feiticismo podem assumir quando são transformadas em actos de violência extrema.

A operação foi divulgada pelo SIC na terça-feira, dia 11, depois de uma investigação realizada no município do Luau. Segundo as autoridades, foram detidos quatro presumíveis autores de quatro homicídios qualificados por decapitação ocorridos durante o corrente ano.

Os detidos têm idades compreendidas entre os 19 e os 30 anos. O ‘Novo Jornal’ identificou-os como Rodrigues Tchilhiluca Maurício, Daniel António Donga, conhecido por “Dalopy”, Graciano Bango Waite e Graça Simão Namaquembe.

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, as quatro vítimas eram cidadãos considerados particularmente vulneráveis, alguns dos quais apresentavam perturbações mentais. Os corpos terão sido encontrados sem as respectivas cabeças.

O director nacional do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC, Manuel Halaiwa, afirmou que os suspeitos terão confessado o envolvimento nos homicídios e que as mortes estariam relacionadas com a crença de que a prática permitiria obter riqueza de forma ilícita.

A investigação procura, entretanto, esclarecer toda a cadeia criminosa e determinar quem terá ordenado os homicídios, quem intermediava as operações e qual era exactamente o destino das cabeças das vítimas.

Suspeita de uma rede maior

O caso poderá ser mais complexo do que a detenção dos quatro executores. O SIC suspeita da existência de uma organização estruturada em células e de presumíveis mandantes provenientes da República Democrática do Congo (RDC).

As autoridades investigam igualmente a possível participação de intermediários encarregados do transporte das cabeças e de outras pessoas que poderiam financiar ou coordenar os crimes. As diligências continuam com o objectivo de identificar e deter os restantes elementos da alegada organização.

Os quatro suspeitos encontram-se em prisão preventiva, segundo as informações divulgadas sobre o processo.

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