Líderes africanos pedem reformas na ONU no Dia de África

Líderes africanos reunidos em Brazzaville, República do Congo, celebraram ontem, dia 25, o 63.º Dia de África, reforçando a soberania do continente e com pedidos para ter maior peso no mundo e para reformas no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).

Na capital congolesa, que recebe esta semana mais de 3.000 pessoas dos 81 países membros, incluindo chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais para o encontro anual do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), celebrou-se o Dia de África com vários apelos à soberania e à emancipação política e económica do continente.

Num discurso do presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, lido pela vice-presidente Malika Haddadi, frisou-se que “a África continua a defender a criação de um sistema multilateral justo, com a reforma do Conselho de Segurança da ONU para mitigar a injustiça do continente.” “O desenvolvimento de África implica muito mais do que apoio financeiro, mas também confiança na capacidade do continente”, frisou.

Na mesma linha, o Presidente do Burundi sublinhou que este dia reflete “a legitimidade das aspirações de África a uma governação internacional mais inclusiva, nomeadamente através de uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.”

O objectivo é que se “corrija a injustiça histórica feita ao nosso continente e garanta a África uma representação justa e permanente, que reflicta o seu peso demográfico, político e estratégico”, defendeu.

Por outro lado, o presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Sidi Ould Tah, pediu “mais integração e reforço das instituições” africanas, numa altura de “fragmentação”.
O Dia de África assinala a fundação da Organização para a Unidade Africana (OUA) em 25 de maio de 1963, na capital etíope, criada sob a inspiração do pan-africanismo, uma corrente empenhada na união política dos povos africanos e da sua diáspora para romper com o legado económico da era colonial.

A OUA foi substituída em 2002 pela actual União Africana, composta por 54 Estados soberanos e pela República Árabe Saaraui Democrática.

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