Líderes africanos manifestam satisfação pela adesão do continente ao G20

A questão já se colocava há vários anos, mas agora é um facto consumado. A cimeira do G20 em Nova Deli, na Índia, que terminou no sábado, dia 9, acolheu oficialmente nas suas fileiras a União Africana (UA), organização que reúne os 55 Estados do continente com um PIB conjunto de três triliões de dólares. Um sinal forte para África e uma vitória diplomática para a Índia, anfitriã da cimeira deste ano, que se afirma cada vez mais como o país líder do Sul Global.

A entrada da UA provocou reacções de regozijo entre os líderes do continente. A África do Sul, que já estava representada no G20, sendo o único país africano, não impediu o seu Presidente de saudar a entrada da União Africana. Cyril Ramaphosa sublinhou a necessidade de “cooperação multilateral para combater a insegurança alimentar e energética”.

Também convidado para a cimeira da Índia, o comoriano Azali Assoumani, actual presidente da UA, congratulou-se com “o culminar de uma longa luta”. “Este é um grande dia para toda a África”, acrescentou.

O Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, um dos pesos pesados do continente, manifestou o seu desejo de “fazer avançar as nossas aspirações na cena mundial utilizando a plataforma do G20”. Por seu lado, William Ruto, do Quénia, falou de “um lugar que ajudará a moldar as decisões do G20 para garantir a promoção dos interesses do continente.” Enquanto Macky Sall, do Senegal, classificou a decisão como “histórica.”

Por último, o Presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, do Chade, considera que a integração da UA oferece actualmente “um quadro favorável para amplificar a defesa dos interesses do continente.”

África à mesa dos poderosos

Para Pape Ibrahima Kane, que monitoriza as questões da União Africana na Open Society Foundation, este “é um enorme passo em frente para o continente.” “África vai estar à volta da mesa onde são discutidas as principais questões económicas do mundo. Estamos habituados a dizer que se não estivermos à mesa, estamos na ementa. Em segundo lugar, é uma oportunidade para África dar o seu contributo para estes debates. E, em terceiro lugar, coloca África na cena internacional.”

E termina: “Não esqueçamos que uma das aspirações da União Africana ao desenvolver a sua Agenda 2063 era ter um lugar nas relações internacionais. E penso que esta participação permanente no G20 é um passo nessa direção. Mas, além disso, África pode, por exemplo, trabalhar de forma concreta para que este continente deixe de ser visto como um risco para os investimentos e passe a ser visto como uma oportunidade. Num mundo multipolar, África pode forjar estratégias utilizando, por exemplo, o diálogo Sul-Sul para garantir que estas questões sejam vistas como prioridades na economia global.”

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