Líder da oposição moçambicana garante que o povo vai continuar a marchar nas ruas pela verdade eleitoral
Indignado e inconformado com os resultados que dão a vitória à Frelimo nas eleições autárquicas moçambicanas de 11 de Outubro, o presidente da Renamo, Ossufo Momade, convocou ontem, domingo, 29 de Outubro, uma conferência de imprensa no seu gabinete em Maputo.
Nela, acusou a polícia de matar cidadãos que protestavam contra os números avançados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). “Da violência perpetrada pela polícia resultou a morte de cidadãos, incluindo crianças, e ferimentos graves noutros cidadãos. Nesta nossa comunicação queremos manifestar o nosso sentimento de pesar pela morte e ferimentos dos nossos concidadãos e endereçamos às famílias enlutadas as mais sentidas condolências”, disse o líder da oposição que fez ainda denuncias de detenções ilegais não poupando críticas à actuação dos elementos da polícia.
O presidente da perdiz aponta também responsabilidades ao Chefe do Estado: “O único responsável por tudo o que está a acontecer é o cidadão Filipe Jacinto Nyusi. Se Nyusi quer repetir o seu mandato [alusão clara à pretensão do 3º mandato que a Constituição não prevê] não é através da Renamo. Não pode usar a Renamo como seu suporte, obrigando a Renamo a ir para a guerra. Eu não vou à guerra e a Renamo também não vai à guerra, mas vamos lutar pela verdade eleitoral aqui, nas cidades, porque o povo quer a Renamo a governar as cidades que a própria população votou na Renamo.” Momade garantiu ainda o seu partido e o povo vão continuar a marchar até que seja “reposta justiça eleitoral.”
Reacções
As reacções aos últimos acontecimentos em Maputo continuam a ser muitas. Para o relator especial a ONU para a liberdade de associação, a preocupação passa pelo uso desproporcionado da força por parte da polícia nos protestos pacíficos pós-eleitorais nos quais resultaram várias mortes.
Por seu turno, a União Europeia (UE) acompanha esta preocupação falando de “irregularidades nas eleições autárquicas em Moçambique” e afirma estar a acompanhar de perto o rescaldo eleitoral. A UE manifestou o seu pesar pela morte de duas pessoas nas manifestações de sexta-feira e apelou para que as autoridades moçambicanas garantam o liberdade de associação e expressão.
Pelo mesmo diapasão afinou a embaixada britânica em Maputo para a qual é importante a realização de eleições credíveis e pacíficas. A embaixada britânica dá conta ainda da preocupação do anúncio dos resultados ao mesmo tempo que continuam em apreciação vários recursos judiciais sobre litígios no escrutínio.
A ONG Human Rights Watch (HRW), a partir da África do Sul, acusou a polícia de disparar contra manifestantes e matar três pessoas em Moçambique. Enquanto o activista Adriano Nuvunga acusou directamente o presidente da CNE, Carlos Matsinha, de “autorizar a morte da democracia”, exigindo a sua demissão.