Líbia é o eixo central nos planos da Rússia para África

A presente visita é a terceira que o vice-ministro da Defesa russo efectua à Líbia, em menos de quatro meses. Yunus-Bek Yevkurov visitou também o Níger e o Mali, a fim de, segundo Moscovo, reforçar a cooperação e a parceria entre Moscovo e estes países africanos. A visita à Líbia reabriu as discussões sobre a presença militar russa na Líbia e o estabelecimento de uma base naval russa em Tobruk, no leste do país. Um acordo já desmentido pelo Exército Nacional Líbio.

Desde 2019 que os paramilitares russos de Wagner estão oficialmente presentes na Líbia. De acordo com a ONU, eram vários milhares, mas o seu número foi reduzido devido à guerra na Ucrânia.

Estas forças russas tinham ajudado Khalifa Haftar, o marechal que controla o leste da Líbia, durante a sua operação falhada para alargar o seu controlo sobre a capital, Tripoli. Em 2020, os paramilitares russos foram colocados em vários locais estratégicos do leste e do sul da Líbia, em bases militares e navais e em terminais petrolíferos.

Após a morte de Yevgeny Prigozhin, o chefe do grupo Wagner, em Agosto passado, Yevkurov, o vice-ministro da Defesa russo, foi enviado para o leste da Líbia. Permaneceu durante uma semana para reestruturar o grupo Wagner e assegurou ao marechal Haftar o apoio do Kremlin.

Como parte da nova força russa a ser criada para África, a Líbia tornar-se-á a base central do contingente africano de Moscovo. Uma força que substituirá as tropas de Wagner nas acções militares em África.

A acreditar no Instituto Americano para o Estudo da Guerra, o continente africano é actualmente o centro do interesse de Moscovo. E isto com o objetivo de competir com os Estados Unidos e os seus aliados europeus da NATO em África. Esta concorrência intensificou-se com a guerra na Ucrânia.

Os Estados Unidos temem que a Rússia tenha acesso às águas cálidas do Mediterrâneo. Ao ter uma base naval na Líbia, Moscovo estará a algumas centenas de quilómetros da costa europeia e poderá espiar os países da NATO, nota o American Institute.

Por fim, o contingente africano da Rússia será, desta vez, colocado directamente sob a responsabilidade do Ministério da Defesa e dos serviços secretos. Segundo vários observadores, a Rússia oficializa assim a sua presença militar em África, desafiando simultaneamente os Estados Unidos e a NATO.

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