Libéria abre portas a 1200 deportados pelos Estados Unidos
A Libéria aceitou receber até 1.200 pessoas deportadas dos Estados Unidos ao longo dos próximos 12 meses, num dos maiores acordos deste tipo estabelecidos pela Administração norte-americana de Donald Trump com um país africano.
O primeiro grupo, constituído por 20 deportados, deverá chegar à Libéria amanhã, quinta-feira, dia 20, segundo anunciou o ministro liberiano da Informação, Jerolinmek Piahà agência Reuters. Os cidadãos transferidos poderão ser provenientes de países de África, da América do Norte e do Sul e das Caraíbas.
As autoridades liberianas afirmam que as pessoas serão recebidas como “convidados” e poderão solicitar asilo no país ou abandoná-lo quando entenderem. O Governo de Monróvia garante ainda que pretende assegurar as condições necessárias para que os deportados possam procurar protecção e permanecer em segurança durante a sua estadia.
O ministro da Justiça, Natu Oswald Tweh, afirmou que as autoridades liberianas analisaram previamente a lista das pessoas que deverão chegar ao país. Segundo o governante, a maioria dos deportados terá cometido infracções relacionadas com a imigração, não sendo pessoas que estejam a ser processadas criminalmente nos Estados Unidos ou na Libéria.
O acordo surge no âmbito da política da Administração Trump de utilizar países terceiros para receber pessoas que os Estados Unidos não conseguem enviar directamente para os seus países de origem. Em vários casos, os deportados obtiveram protecção judicial nos EUA devido ao risco de tortura, perseguição ou outros abusos caso fossem repatriados.
Washington já estabeleceu acordos semelhantes com vários países africanos, entre os quais a República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Camarões, Gana e Serra Leoa. A dimensão do acordo com a Libéria torna-o, contudo, particularmente relevante.
O Governo liberiano rejeita a existência de uma contrapartida directa pela aceitação dos deportados, mas reconhece que receberá apoio dos Estados Unidos para gerir o programa e reforçar o seu sistema de migração. Monróvia descreve a decisão como uma iniciativa humanitária, enquadrada na tradição histórica da Libéria de acolher pessoas que procuram refúgio.
Organizações de defesa dos direitos dos migrantes têm, por seu lado, levantado preocupações sobre os acordos de deportação para países terceiros, sobretudo pela falta de transparência e pelos riscos que alguns deportados poderão enfrentar nos países de destino.