Lampedusa no centro do movimento migratório para a Europa

No último ano, a rota central, que passa por Lampedusa, em Itália, tornou-se a mais utilizada pelos migrantes que procuram chegar à Europa através do Mediterrâneo. Desde Janeiro de 2023, quase 130 mil pessoas de diversos países africanos chegaram a Itália por via marítima, o dobro do número registado na mesma altura do ano passado.

“Os números das chegadas são mais ou menos os mesmos de 2015 e 2016 e, na altura, já dizíamos que não eram de forma alguma comparáveis às 850 mil pessoas que chegaram à Grécia em 2015″, explica Flavio Di Giacomo, porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no Mediterrâneo. Mais recentemente, a Itália absorveu muito bem a chegada de 120 mil refugiados ucranianos em três meses.”

Para Di Giacomo, a situação actual é “excepcional” para Lampedusa, mas não para Itália, e muito menos à escala europeia, numa altura em que a extrema-direita europeia grita “submersão migratória”. Em 2015 e 2016, “cerca de 8% das pessoas que atravessam a ilha chegaram a Lampedusa”, recorda Di Giacomo. Este ano, são mais de 70%. Há uma emergência logística e operacional”, refere.

O plano de dez pontos para a Itália, apresentado ontem, domingo, 17 de Setembro, em Lampedusa, pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propõe atribuir mais recursos às agências de asilo e de vigilância das fronteiras da União Europeia (Frontex) de modo a acelerar e facilitar o registo dos migrantes que chegam a Itália. Pretende igualmente agilizar a transferência de pessoas para outros Estados-Membros, com base num mecanismo de solidariedade voluntária, e aplicar o acordo assinado em 16 de Julho com a Tunísia, para ajudar este país a controlar melhor a saída de migrantes das suas costas.

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