Hoje é Dia Mundial da Obesidade, uma doença que cresce exponencialmente em África
Hoje, dia 4 de Março, é o Dia Mundial da Obesidade, data em que organizações e agentes estão focados em preveni-la e tratá-la, assim como combater o seu estigma social, podem debater e compartilhar conhecimentos, procurando actuar de forma articulada e em sinergia nestas agendas.
Pela definição da Organização Mundial da Saúde, obesidade é o excesso de gordura corporal, em quantidade que determine prejuízos à saúde. Uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2 e a faixa de peso normal varia entre 18,5 e 24,9 kg/m2.
Qual é a origem da obesidade?
A causa mais comum de obesidade é uma combinação de dieta hiperenergética, falta de exercício físico e suscetibilidade genética. Alguns casos são causados por genes, doenças endócrinas, medicamentos ou perturbações mentais.
Como prevenir a obesidade OMS?
O tratamento inclui alimentação saudável, com diminuição da ingestão de calorias e aumento da atividade física, podendo-se associar ao uso de medicamentos.
Quais são as consequências da obesidade para a saúde?
Quando acompanhada de um estilo de vida pouco saudável, a obesidade traz a possibilidade de desenvolver diversas outras doenças crónicas, como quadros de hipertensão, diabetes tipo 2 e colesterol alto, além de problemas respiratórios, dificuldade para dormir, sensibilidade nas articulações e dor nas costas, entre muitos outros.
Qual o tipo de obesidade mais perigosa?
A obesidade abdominal é perigosa por estar associada com o risco de apresentar doenças cardiovasculares como infarto, colesterol alto, diabetes, entre outras.
O que pode ser feito para combater a obesidade?
Ter uma alimentação saudável, baseada em alimentos in natura. Praticar atividades físicas. Controlar o consumo em excesso de sal e açúcar. Beber diariamente pelo menos dois litros de água.
Obesidade cresce em África
Em África, o continente mais pobre do mundo, a desnutrição, teimosa, continua generalizada. Milhões de pessoas continuam desesperadamente famintas, com a escassez rondando os países dizimados por conflitos.
Em muitos lugares, porém, a economia em expansão resultou em cinturas avantajadas. Os índices de obesidade na região subsaariana encontram-se num crescimento mais acentuado como em nenhuma outra parte do mundo, o que está a causar uma crise de saúde pública que apanhou o continente, e o planeta, de surpresa.
Crescimento económico
No Burquina Faso, a prevalência da obesidade adulta nos últimos 36 anos subiu quase 1.400%. No Gana, Togo, Etiópia e Benin, esse número ultrapassa os 500%. Oito das 20 nações com taxas de
obesidade adulta mais drásticas estão na África, de acordo com um estudo recente feito pelo Instituto de Avaliação e Métrica de Saúde da Universidade de Washington, nos EUA.
O fenómeno faz parte da mudança sísmica causada pelo crescimento económico, que transforma todos os aspectos da vida, inclusive a silhueta de seu povo.
Muitos africanos estão a comer mais junk food – alimentos com alto teor calórico, mas com níveis reduzidos de nutrientes –, praticamente toda importada. A par disto, o exercício também tem sido muito menos praticado. Milhões de pessoas abandonaram a vida no campo, mais activa, para se aboletar nas cidades, onde tendem a ser mais sedentárias. Carros mais baratos e a onda de importação de motos também fazem com que se ande cada vez menos.
A obesidade pode ser especialmente difícil de combater no continente por outras razões. Para começar que aqueles que não consumiram uma quantidade adequada de nutrientes na juventude (o que ali ainda é um problema) têm mais tendência a engordar quando obtêm acesso a um volume maior de comida. Além disso, o sistema de saúde local está praticamente todo voltado para o combate a outras doenças.
Os médicos dizem que a saúde pública está tão concentrada no tratamento de SIDA, malária, cólera, tuberculose e febres tropicais – historicamente, os grandes dizimadores africanos – que poucos recursos sobram para as chamadas doenças não transmissíveis, como a diabete e os problemas cardíacos.
““Estamos a testemunhar o que talvez seja a pior epidemia que este país jamais verá, provavelmente pior até que a epidemia de HIV dos anos 1990, em termos de longo prazo. O problema é que tentar mudar o sistema de saúde para incluir o tratamento das doenças relacionadas à obesidade é como manobrar um superpetroleiro”, explica o cardiologista queniano Anders Barasa, citado pela BBC.
No Quénia, um dos países mais desenvolvidos do continente, há cerca de 40 especialistas cardíacos para a população inteira de 48 milhões de habitantes. Nos EUA, a proporção é de um para treze mil pessoas.
Mesmo com o agravamento do problema da obesidade, o facto é que a adversidade local mais antiga, a desnutrição, não foi erradicada totalmente; de um lado, há milhões de africanos a comer em excesso, consumindo alimentos não saudáveis e, do outro, um sem-fim de pessoas que continuam a passar fome ou muito perto disso.