Governo reconhece crise no abastecimento de combustíveis

O Governo angolano reconheceu, pela primeira vez, que o país enfrenta uma crise de abastecimento de combustíveis, admitindo igualmente dificuldades financeiras da Sonangol para garantir o fornecimento ao mercado nacional.

O reconhecimento foi efectuado pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, durante o Fórum das Mulheres no Sector de Oil & Gás, realizado em Luanda.

“Estamos com uma situação preocupante de combustível no país. Hoje o país está todo preocupado com a situação do combustível”, afirmou o governante, citado pela Rádio Nacional de Angola.

O responsável foi mais longe ao admitir que o país atravessa uma crise de abastecimento. “Estamos com uma crise, há pouco combustível no país. Há um aumento do consumo, há um aumento do preço no mercado internacional, há escassez”, declarou, apontando ainda constrangimentos logísticos como um dos factores que agravam a situação.

Diamantino Azevedo assegurou que o Executivo está a trabalhar para normalizar o abastecimento e recordou que Angola continua entre os países africanos com os combustíveis mais baratos, uma realidade que, segundo explicou, contribui para o aumento da procura interna.

As declarações contrastam com a posição assumida pela Sonangol ao longo do último ano. Em Setembro de 2025, perante denúncias de falta de combustível em províncias como Cuanza-Sul, Huíla, Huambo, Bié, Zaire, Uíge e Cunene, a empresa garantiu que a região sul estava plenamente abastecida, rejeitando qualquer situação de escassez.

Na altura, a dificuldade de acesso aos combustíveis levou o preço no mercado informal a ultrapassar os 1.000 kwanzas por litro, muito acima dos preços oficiais, enquanto longas filas se formavam nos postos de abastecimento.

Em Maio deste ano, novas queixas surgiram em Luanda, Benguela, Huíla e Namibe.

Apesar de ser o segundo maior produtor de petróleo de África, Angola continua dependente da importação de combustíveis refinados, uma vez que a capacidade nacional de refinação permanece insuficiente para satisfazer a procura interna.

O Executivo aposta na entrada em funcionamento e expansão das refinarias do Lobito, Cabinda e Soyo para reduzir essa dependência. Contudo, esses projectos ainda não oferecem uma resposta imediata às dificuldades de abastecimento actualmente reconhecidas pelo Governo.

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