Dívida de Angola a Portugal representava 2% do total no final de Junho
Portugal representava 2% da dívida pública angolana no final de Junho, cerca de 1,2 mil milhões de euros, surgindo pela primeira vez destacado entre os credores, de acordo com os dados divulgados ontem, segunda-feira, dia 20, em Luanda.
Os dados constam do balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) relativo ao primeiro semestre, apresentado no Museu da Moeda, em Luanda, pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD) de Angola, Dorivaldo Teixeira.
O responsável explicou que o peso de Portugal, até agora incluído na categoria dos outros credores internacionais, resulta do aumento dos desembolsos efectuados ao abrigo da linha de financiamento bilateral, existente há cerca de 12 anos, que permite o acesso a crédito para projectos em curso no país, como a Marginal da Corimba, a reabilitação da Fortaleza do Penedo, em Luanda, e da catedral conhecida como Kulumbimbi, em Mbanza Congo.
“À medida que se vai construindo e vamos pagando aos empreiteiros, a dívida vai subir”, afirmou Dorivaldo Teixeira, justificando o destaque atribuído a Portugal na apresentação.
A linha de crédito de Portugal a Angola ascende a 3,25 mil milhões de euros, depois de ter sido reforçada em 750 milhões de euros, em Julho de 2025, conforme anunciou, na altura, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Segundo o responsável da UGD, os três maiores credores de Angola mantêm-se: o mercado doméstico, que aumentou o seu peso para cerca de 29% (face aos 28% registados em 2025); o mercado internacional de dívida titulada, sobretudo o Reino Unido, cuja participação subiu de 22% para 25%, impulsionada pelo investimento em Eurobonds; e a China, cuja quota recuou de 19% para 17%.
A trajectória da dívida à China mantém-se descendente, de acordo com Dorivaldo Teixeira, que indicou que a componente colateralizada, tendo o petróleo como garantia, se situa em cerca de 5,8 mil milhões de euros.
Os Estados Unidos da América (EUA) representavam 12% do stock da dívida (face aos 13% registados em 2025), sendo o endividamento sobretudo junto de instituições multilaterais, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sobre um eventual regresso aos mercados internacionais no segundo semestre, Dorivaldo Teixeira afirmou que “é uma incógnita” e dependerá de dois factores: a existência de uma janela de oportunidade com taxas de juro favoráveis e o limite previsto no Plano Anual de Endividamento.
O aumento da receita petrolífera, impulsionado pela subida do preço do crude, poderá igualmente contribuir para reforçar a capacidade financeira do Estado no segundo semestre, acrescentou.