ONG’s exigem fim da criação comercial de leões em cativeiro na África do Sul
Organizações de defesa dos animais apelaram ontem, terça-feira, dia 11, ao Governo da África do Sul para retomar o processo de proibição da criação de leões em cativeiro para fins comerciais, uma prática que permanece legal apesar dos compromissos assumidos pelas autoridades.
O apelo foi feito durante uma conferência de imprensa promovida por ocasião do Dia Mundial do Leão, celebrado na segunda-feira, pelas organizações FOUR PAWS South Africa, Humane World for Animals South Africa, Voice4Lions e Blood Lions.
“O Governo comprometeu-se a eliminar progressivamente a criação de leões em cativeiro, mas (…) esta actividade continua a ser legal e a indústria permanece, em grande medida, em funcionamento”, afirmou a directora da FOUR PAWS South Africa, Fiona Miles, num comunicado divulgado após a conferência, citado pela agência Lusa.
De acordo com as organizações não-governamentais (ONG’s), cerca de 8.000 leões continuam sujeitos a criação e exploração comercial na África do Sul, apesar de, em Maio de 2021, a então ministra das Florestas, Pescas e Ambiente, Barbara Creecy, ter anunciado a intenção do Governo de pôr termo à actividade.
O sector abrange a criação de leões para fins comerciais, a sua manutenção em instalações privadas, a caça de troféus de animais criados em cativeiro, o comércio interno de leões e dos seus derivados, bem como outras formas de exploração comercial.
“O Dia Mundial do Leão constitui um importante lembrete de que os leões da África do Sul devem viver em ecossistemas prósperos e funcionais, e não em instalações de criação onde são transformados em mercadoria durante todo o seu ciclo de vida”, defenderam as ONG’s.
Neste sentido, o investigador da Humane World for Animals South Africa, Matthew Schurch, apelou ao actual ministro sul-africano do Ambiente, David Maynier, para que «siga os passos dos seus antecessores» e avance com o processo de eliminação da criação de leões em cativeiro.
As organizações garantiram que continuarão a trabalhar com o Governo, as partes interessadas e o público para promover uma transição responsável, que permita proteger a reputação internacional da África do Sul nos domínios da conservação da natureza e do turismo.