BAD lança programa de 25 milhões de euros para alargar acesso à cozinha limpa no continente africano

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), através do Mecanismo de Financiamento do Processo de Roma/Plano Mattei (RPFF), anunciou o lançamento de um novo programa destinado a acelerar o acesso à cozinha limpa em África, com uma dotação inicial de 25 milhões de euros.

O anúncio foi efectuado durante os Encontros Anuais de 2026 do BAD, que tiveram lugar a semana passada em Brazzaville, capital da República do Congo.
De acordo com um comunicado oficial, o mecanismo, denominado Programa de Cozinha Limpa do RPFF (RCCP), pretende beneficiar cerca de um milhão de famílias africanas, ao mesmo tempo que contribuirá para a redução de aproximadamente cinco milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono.
A iniciativa foi apresentada pelo director do Departamento de Energias Renováveis e Eficiência Energética do BAD, Daniel Schroth, que destacou o papel estratégico do programa no reforço dos investimentos em soluções energéticas sustentáveis no continente. Segundo o responsável, o RCCP está alinhado com os objectivos da Missão 300 e dos compactos energéticos nacionais africanos, desenvolvidos para expandir o acesso à energia.

Durante a sessão, o coordenador-adjunto da Estrutura da Missão para o Plano Mattei, junto do gabinete da primeira-ministra italiana, Lorenzo Ortona, afirmou que o acesso à cozinha limpa constitui uma das prioridades centrais da estratégia italiana para África.
Criado em Fevereiro de 2025, o RPFF foi concebido para mobilizar rapidamente financiamento concessional e subvenções em parceria com o BAD, apoiando projectos nos sectores da energia, transportes e água. O mecanismo visa ainda responder a desafios relacionados com a vulnerabilidade climática, a fragilidade económica e a migração irregular.
O debate que se seguiu ao anúncio reuniu representantes governamentais da Dinamarca, Etiópia, Quénia e Zâmbia, que defenderam a necessidade de reforçar os investimentos em cozinha limpa como parte das estratégias nacionais de desenvolvimento sustentável e transição energética.

A secretária de Estado para a Política de Desenvolvimento da Dinamarca, Elsebeth Søndergaard Krone, destacou a adesão do seu país ao mecanismo em Dezembro de 2025, reafirmando que a expansão do acesso à cozinha limpa constitui uma prioridade da cooperação dinamarquesa.
Por sua vez, o Quénia revelou estar a preparar, com apoio do RPFF, um programa para o desenvolvimento do mercado de cozinha eléctrica. O país acolherá a segunda Cimeira Africana sobre Cozinha Limpa, marcada para os dias 9 e 10 de Julho de 2026, em Nairobi.
Quase mil milhões de pessoas continuam sem acesso à cozinha limpa em África
“Quase mil milhões de pessoas em África continuam sem acesso a soluções de cozinha limpa, uma realidade que tem impactos significativos na saúde pública, na igualdade de género e no desenvolvimento económico.”

A Etiópia, que já beneficia de investimentos do mecanismo no sector da água, informou que pretende integrar a cozinha limpa na sua agenda climática, tendo em vista a realização da COP32 em 2027. Já a Zâmbia destacou os avanços alcançados através do apoio do RPFF ao Corredor do Lobito e aos seus programas de acesso à energia.
Dados apresentados durante o encontro indicam que o mecanismo já assegurou compromissos financeiros de cerca de 168 milhões de euros provenientes de Itália, dos Emirados Árabes Unidos e da Dinamarca. Actualmente, a carteira do RPFF inclui quatro projectos activos em países como a Etiópia, a Mauritânia, Angola e a Zâmbia.

Estes investimentos já permitiram mobilizar aproximadamente 389 milhões de euros em co-financiamento do BAD e outros 148 milhões de euros provenientes de parceiros e Governos.
Daniel Schroth considerou que a rápida implementação do mecanismo demonstra a capacidade das parcerias internacionais em gerar resultados concretos. “O novo programa de cozinha limpa aborda um dos desafios mais urgentes do desenvolvimento africano, numa área que liga energia, saúde, género, clima e meios de subsistência”, afirmou.
No encerramento da sessão, a governadora suplente do Ministério da Economia e Finanças de Itália, Francesca Utili, destacou os progressos alcançados desde a criação do mecanismo. “Um ano após o seu lançamento, o RPFF encontra-se plenamente operacional, com uma estrutura de governação consolidada, projectos aprovados e uma carteira em expansão para responder às prioridades estratégicas dos países africanos”, declarou.

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