África do Sul não rompe relações diplomáticas com o Irão apesar da pressão dos EUA
O director-geral dos Negócios Estrangeiros sul-africano, Zane Dangor, afirmou, recentemente, que a África do Sul não tem motivos para cortar relações com o Irão, após o embaixador dos Estados Unidos da América (EUA), Leo Brent Bozell, ter referido que a associação do país à República Islâmica era “um obstáculo a boas relações com Washington.”
Numa entrevista à agência Reuters, Zane Dangor reiterou a rejeição de outras exigências da Administração Trump, como abandonar o processo por genocídio contra Israel, eliminar as leis de empoderamento negro ou aceitar um programa de refugiados para brancos.
O dirigente pronunciava-se num contexto de guerra entre os EUA e Israel contra o Irão, um conflito que está a aumentar as tensões para os governos que gerem relações com Teerão, bem como de uma deterioração acentuada das relações de Pretória com Washington durante o segundo mandato do Presidente Donald Trump. “Não temos qualquer razão para cortar relações com o Irão, não somos absolutamente acríticos em relação ao país”, afirmou Zane Dangor, referindo que o Governo do Presidente Cyril Ramaphosa criticou a repressão de protestos em Janeiro, bem como ataques a países vizinhos na guerra mais recente com os Estados Unidos. “Mas não podemos ser arrastados para este tipo de política de esferas de influência que as grandes potências pretendem impor, e que, neste caso, inclui os EUA”, vincou.
As relações entre a África do Sul e os EUA têm estado num nível desfavorável desde que Trump acusou o “Governo de maioria negra de perseguir a minoria branca”, repetindo alegações falsas sobre expropriações de terras a agricultores brancos que circulam em fóruns de extrema-direita.
Dangor afirmou que Pretória está interessada em melhorar as relações com Washington, mas sublinhou: “Vamos dialogar sobre as áreas em que estamos de acordo.”
Responsáveis da Administração Trump sugeriram que leis destinadas a corrigir o legado do apartheid, como requisitos mínimos de participação e emprego de cidadãos negros, devem ser alteradas para aliviar a tarifa de 30% aplicada à África do Sul. “Não vamos permitir que as questões internas que colocaram em cima da mesa façam parte dessa equação”, concluiu o director-geral dos Negócios Estrangeiros.
Os EUA pretendem também processar 4500 pedidos de asilo por mês de sul-africanos brancos que Trump reitera estarem a ser perseguidos.