BFA é o primeiro banco angolano a aderir ao sistema chinês CIPS

O Banco de Fomento Angola (BFA) vai aderir ao Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China (CIPS, na sigla em inglês) para responder à procura dos seus clientes por liquidações directas em yuan, disse à agência Reuters uma fonte do segundo maior banco comercial de Angola.

A procura por liquidações directas de moedas locais em yuan tem vindo a aumentar em África, à medida que se intensificam as relações comerciais e de investimento com a China e Pequim promove a internacionalização da sua moeda, levando os bancos a desenvolver a infraestrutura necessária.

“Percebemos, através dos nossos clientes, que os fluxos financeiros com a China terão de passar para o sistema CIPS”, afirmou a fonte, acrescentando: “Se ficarmos à margem, poderemos até perder essa relação com os nossos clientes chineses.”

A China é um parceiro económico fundamental de Angola, comprando grande parte do seu petróleo bruto e fornecendo milhares de milhões de dólares em financiamento.

O BFA será o primeiro banco angolano a aderir ao CIPS e prevê concluir o processo até ao próximo ano, acrescentou a fonte.

Embora o dólar continue a ser a moeda dominante no comércio mundial e nas reservas internacionais, o crescimento das relações comerciais com a China tem levado alguns governos, empresas e bancos africanos a expandir a utilização do yuan.

Angola aposta no yuan

No início deste mês, o Banco Nacional de Angola passou a incluir o yuan entre as moedas que os bancos comerciais podem utilizar para cumprir os requisitos de reservas obrigatórias em moeda estrangeira, atribuindo-lhe o mesmo estatuto do dólar norte-americano, do euro e do rand sul-africano.

Na segunda-feira, o responsável pela gestão da dívida do Ministério das Finanças de Angola, Dorivaldo Teixeira, afirmou que o Governo está a trabalhar num plano para obter financiamento através de dívida denominada em yuan, com o objetivo de beneficiar das baixas taxas de juro.

Estas medidas reforçam a decisão do BFA de aderir ao CIPS, disse a fonte, acrescentando que os factores internacionais também tiveram um papel determinante.

“Anteriormente, não víamos qualquer procura por yuan por parte de fornecedores ou clientes na China, porque preferiam deter dólares norte-americanos”, afirmou a fonte. “Estas mudanças estão ligadas à evolução do comércio internacional, às alterações no panorama geopolítico e às novas tendências.”

O Standard Bank, da África do Sul, que se tornou o primeiro banco africano a ligar-se ao CIPS em Novembro, obteve no mês passado autorização para realizar operações de compensação em yuan em todo o continente, em parceria com o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC).

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