Energias renováveis são responsáveis por 70% do consumo de electricidade em Angola
As energias renováveis sustentam actualmente cerca de 70% do consumo de electricidade em Angola, com a componente hídrica a representar mais de 60%, avançou, ontem, quinta-feira, dia 28, em Luanda, o ministro de Estado para a Coordenação Económica angolano, José de Lima Massano.
Massano falava na abertura da 2.ª Conferência Internacional sobre Energia e Águas, que decorre em Luanda até hoje, sexta-feira, dia 29.
Angola estabeleceu a meta de alcançar, até 2027, 73% de contribuição de fontes renováveis na matriz de geração de energia, anunciou, em 2024, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.
Segundo José de Lima Massano, a produção de energia eléctrica quase quadruplicou entre 2012 e 2025, passando de 1772 para 6400 megawatts (MW), tendo igualmente as linhas de transporte de muito alta tensão atingido os 5950 quilómetros, além do alargamento da rede de distribuição existente.
“Esta transformação é igualmente visível na matriz eléctrica nacional. Em 2012, o sistema era predominantemente termoeléctrico. Actualmente, cerca de 70% da energia consumida em Angola é proveniente de fontes renováveis, com a componente hídrica a representar mais de 60%, contribuindo assim para a redução progressiva dos custos operacionais e concorrendo para a protecção ambiental”, disse o ministro de Estado para a Coordenação Económica.
Os avanços no sector da energia e água, observou, têm criado condições mais favoráveis para o crescimento da agro-pecuária, da indústria transformadora, da mineração, do turismo, das telecomunicações e da logística.
O ministro salientou que, com a expansão destes sectores, Angola está a “construir uma economia mais diversificada, mais inclusiva, sustentável e integrada”, como demonstram os dados mais recentes sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB).
“O sector da agro-pecuária e silvicultura representa perto de 25% da actividade económica nacional, seguido do sector do comércio, com 19,27%”, indicou o responsável.
O governante disse que, nos dois últimos anos, a economia nacional cresceu a um ritmo assinalável, tendo reconquistado, no mês passado, o posicionamento como a 6.ª maior economia africana e a 3.ª a sul do Saara.
“Angola, consciente da importância estratégica da energia e águas para as suas ambições de desenvolvimento, tem vindo a fazer investimentos estruturantes no sector. Em pouco mais de uma década, o país passou de um sistema marcado por défices e frequentes interrupções no fornecimento de energia eléctrica para uma realidade caracterizada pela expansão e modernização das infra-estruturas de geração, transmissão e distribuição de energia”, frisou Massano.
Os desafios permanecem
Sobre o sector das águas em particular, o governante sublinhou que “o desenvolvimento não é menos expressivo”, acrescentando que se encontram em execução projectos destinados a reforçar a produção de água potável e a expandir o acesso. “Nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo, por exemplo, os projectos Bita e Quilonga Grande que, em conjunto, terão capacidade para produzir mais de 777 mil metros cúbicos de água por dia, beneficiarão cerca de 7,5 milhões de consumidores”, apontou.
Por sua vez, João Baptista Borges destacou que energia e água são factores centrais de estabilidade social, competitividade económica, soberania nacional e afirmação geopolítica dos Estados.
“Angola está consciente dessa realidade”, afirmou, enfatizando os investimentos nos dois sectores para “garantir desenvolvimento sustentável, inclusão social e melhoria efectiva das condições de vida das populações”, lembrando que, durante muitos anos, milhões de angolanos viveram sem acesso regular à electricidade e à água potável.
O ministro admitiu que “os desafios continuam enormes”, que ainda existem comunidades sem acesso à energia e à água, assimetrias territoriais e limitações infra-estruturais, que exigem trabalho contínuo, investimento e capacidade de execução.
Hoje, em discussão, vão estar temas sobre energias renováveis, electrificação rural, interligação regional, sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica, redes inteligentes, mobilidade eléctrica, gestão integrada da água e hidrogénio verde, com a participação de parceiros de Portugal e do Brasil.